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Idosa viajava semanalmente para rituais de tortura de menino, diz polícia

2 MAR 2016 • POR G1 • 17h28

A mulher de 60 anos suspeita de comandar as sessões de tortura do menino de 4 anos viajava semanalmente de Aquidauana (MS) a Campo Grande para os rituais de magia negra. A rotina da idosa, que é avó adotiva da criança, foi descoberta nesta quarta-feira (2) durante acareação entre ela e outros dois apontados pela polícia como envolvidos no crime.

“Nossa investigação aponta que ele vinha com frequência, desde setembro do ano anterior, para realizar estes rituais. A mulher negou a sua participação efetiva, tanto ontem quando foi presa como nesta manhã. No entanto, o depoimento dos outros três envolvidos prevaleceu sobre a versão dela”, afirmou o delegado Paulo Sérgio Lauretto, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).

Além de ouvir a idosa, o suspeito de 46 anos e o jovem de 18 anos, o delegado ainda leu para os três trechos do depoimento da suspeita de 31 anos. Ela está presa em Corumbá, porém também apontou a sua mãe como mentora dos crimes e como a pessoa quem a ensinou a realizar os rituais.

“Enquanto os outros dois falavam, a mulher balançava a cabeça e os chamava de mentirosos. Ela demonstra calma a todo momento, com fala articulada e fria. Em sua primeira oitiva, a idosa alegou ter visto o menino apenas uma única vez, em novembro de 2015. Após isso, questionada novamente, ela informou outro mês”, comentou o delegado.

Sobre a participação no crime, o pedreiro afirmou que não agrediu o menino e que a esposa foi induzida pela mãe a praticar o crime. “Não maltratava ele porque era bendizer o meu filho. Nunca bati nele nem o queimei com cigarro e coisas do tipo. Eu saía de casa às 6h para trabalhar e retornava às 18h, então nem sabia o que acontecia lá”, comentou.

Ele também disse estar muito arrependido por não ter denunciado a sogra. “Ela vinha de Aquidauana sempre e um dia chegou dizendo que a filha dele participaria de rituais de magia branca, apenas com orações. Mas, de repente, ela foi para o outro lado. Só me sinto culpado de não denunciá-la antes”, disse o pedreiro.

Já o jovem de 18 anos ressaltou novamente que a idosa é a mentora de todos estes crimes. “Era ela quem fazia tudo e tem que ser julgada por isso. Eu estava trabalhando, em Aquidauana e ela é a mentora de tudo o que aconteceu com este menino”, explicou o suspeito.

Prisões
A idosa foi presa na terça-feira (1º), em Aquidauana, a 131 quilômetros de Campo Grande. Além dela, os tios-avós, que tinham a guarda judicial do menino, e um primo de 18 anos estão presos. Os três confessaram o crime, alegando que agiam sob influência de uma entidade espiritual.

O casal afirmou que agredia a criança em situações fora dos rituais de magia negra. Os nomes dos tios-avós não serão divulgados nesta reportagem para garantir os direitos de proteção da criança.

Alta médica
O menino deve receber alta até o próximo domingo (6), segundo a Santa Casa de Campo Grande, e voltará para uma instituição de acolhimento, de acordo com a conselheira tutelar Cassandra Szuberski.

Investigação
Além dos quatro presos foram ouvidos as duas filhas biológicas do casal suspeito e a vítima. As filhas do casal afirmaram para a polícia que o menino era "super apegado" com a suspeita, mãe delas.

Família
O homem preso é irmão da avó paterna biológica do menino. Ele e a esposa teriam sido os familiares mais próximos interessados na guarda da criança, depois que a avó paterna devolveu a criança à Justiça alegando que não tinha condições de cuidá-la.

Segundo a polícia, os pais biológicos do menino são usuários de droga e o abandonaram. Em depoimento, a tia-avó contou que quis adotar a criança com intenção de utilizá-la em rituais de sacrifício.