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Saúde

Dois novos casos de remissão do HIV reforçam esperança da ciência na busca pela cura

27 JUL 2026 • POR Glenda Melo • 14h50
  Reprodução

A comunidade científica voltou a receber uma notícia animadora no combate ao HIV. Dois novos casos de remissão do vírus foram anunciados nesta segunda-feira (27), elevando para 13 o número de pacientes no mundo considerados curados ou em remissão prolongada da infecção, segundo dados da Sociedade Internacional de Aids (IAS).

Os resultados serão apresentados durante a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada no Rio de Janeiro, um dos mais importantes encontros mundiais voltados à pesquisa, prevenção e tratamento da doença.

Os dois pacientes interromperam o tratamento com medicamentos antirretrovirais e, mesmo após meses sem o uso da terapia, continuam sem apresentar carga viral detectável nos exames.

Um dos casos é o chamado "paciente de Kansas City", nos Estados Unidos, que está há 14 meses sem utilizar os medicamentos e permanece sem sinais detectáveis do vírus. O outro paciente, que também enfrentava uma infecção por hepatite B, completou um ano sem tratamento para o HIV, mantendo o mesmo resultado.

A remissão ocorre quando o vírus deixa de ser detectado no organismo mesmo após a interrupção do tratamento. Isso não significa, necessariamente, que a cura definitiva foi alcançada, mas indica que o HIV permanece sob controle sem a necessidade de medicamentos por um longo período.

Especialistas destacam que esses casos ainda são considerados excepcionais e costumam estar associados a tratamentos médicos altamente específicos, muitas vezes envolvendo transplantes de células-tronco realizados para tratar outras doenças graves, como alguns tipos de câncer.

A carga viral corresponde à quantidade de HIV presente no sangue.

Quando o exame aponta carga viral detectável, significa que o vírus está circulando em níveis mensuráveis. Já a carga viral indetectável indica que a quantidade do vírus é tão baixa que os testes laboratoriais não conseguem identificá-la.

Pacientes que mantêm esse resultado de forma estável durante o tratamento não transmitem o HIV por via sexual, conceito conhecido mundialmente pela campanha "Indetectável = Intransmissível" (I=I).

Embora os novos casos não representem uma cura acessível à população em geral, eles fornecem informações valiosas para pesquisadores que buscam desenvolver estratégias capazes de eliminar o vírus ou permitir que ele permaneça controlado sem o uso contínuo de medicamentos.

Atualmente, milhões de pessoas vivem com HIV em todo o mundo e dependem da terapia antirretroviral para manter a saúde e impedir a progressão da doença. Cada novo caso de remissão amplia o conhecimento científico e fortalece a expectativa de que tratamentos mais eficazes e, futuramente, uma cura definitiva possam se tornar realidade.