Trabalho
Empresas passam a responder por riscos à saúde mental no trabalho
27 JUL 2026 • POR Glenda Melo • 09h54A saúde mental dos trabalhadores ganhou ainda mais espaço nas relações de trabalho no Brasil. Desde a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) passou a exigir que empresas adotem medidas para identificar, avaliar e reduzir fatores que possam comprometer o bem-estar psicológico dos funcionários.
Com a mudança, questões como assédio moral, excesso de cobranças, jornadas exaustivas, pressão constante por resultados e ambientes organizacionais prejudiciais passam a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A medida fortalece a prevenção e busca evitar que situações de estresse contínuo evoluam para transtornos mentais ou afastamentos do trabalho.
Gestão de riscos vai além da segurança física
Até então, o foco das normas de segurança no trabalho estava concentrado, principalmente, nos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. Agora, os fatores psicossociais também devem fazer parte da rotina de avaliação das empresas.
Isso significa que os empregadores precisam mapear situações que possam afetar a saúde emocional dos colaboradores e desenvolver ações preventivas para minimizar esses impactos.
Metas continuam permitidas
A atualização da NR-1 não impede que empresas estabeleçam metas de produtividade ou façam cobranças por desempenho. O que a norma determina é que essas práticas não ultrapassem os limites do razoável a ponto de gerar sofrimento psicológico, constrangimentos ou pressão excessiva.
Na prática, a fiscalização avaliará se a organização mantém um ambiente de trabalho saudável e se adota mecanismos para prevenir situações de assédio, abuso de autoridade e sobrecarga contínua.
Fiscalização pode exigir comprovação
Durante inspeções, auditores fiscais do trabalho poderão verificar se a empresa identificou os riscos psicossociais existentes e quais medidas foram implementadas para reduzi-los. Dependendo das irregularidades encontradas, poderão ser aplicadas autuações conforme a legislação trabalhista.
A nova exigência reforça uma tendência observada nos últimos anos, marcada pelo crescimento dos afastamentos relacionados à ansiedade, depressão, síndrome de burnout e outros transtornos ligados ao ambiente profissional.
Prevenção como prioridade
Especialistas destacam que investir na saúde mental dos trabalhadores não representa apenas uma obrigação legal, mas também uma estratégia para melhorar a produtividade, reduzir o absenteísmo e fortalecer o clima organizacional.
Com a inclusão dos riscos psicossociais na NR-1, a expectativa é que empresas passem a tratar a saúde emocional dos colaboradores com a mesma importância dedicada à prevenção de acidentes e demais riscos ocupacionais.
