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Estudo revela queda de quase 50% na prevalência do HPV entre jovens após vacinação no Brasil

Dados coletados entre 2016-2017 e 2020-2023 indicam redução significativa na prevalência do HPV, mesmo com baixa cobertura vacinal entre jovens no país.

24 JUL 2026 • POR do idest • 09h40
  (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Uma pesquisa realizada pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde, apontou uma redução de aproximadamente 50% na prevalência dos principais tipos de HPV entre jovens brasileiros após a implementação da vacinação. Os dados, coletados em dois períodos distintos, mostram que a presença do vírus caiu de 14,98% para 7,95%, indicando a eficácia do imunizante na população de 16 a 25 anos.

Dados da pesquisa e perfil dos participantes

A pesquisa Pop-Brasil analisou amostras de mais de 16 mil jovens em duas fases: a primeira, com 6.388 participantes não vacinados, e a segunda, com mais de 10 mil participantes, incluindo vacinados e não vacinados. As amostras foram coletadas em unidades de saúde de diferentes regiões do país, focando na faixa etária de 16 a 25 anos, considerada a de maior risco de infecção por HPV, devido ao início da atividade sexual.

Taxa de cobertura vacinal e impacto na prevalência do vírus

Apesar de a cobertura vacinal ainda estar abaixo do ideal, com 61,8% entre mulheres e 31,1% entre homens, a vacinação demonstrou efeito significativo na redução da prevalência dos tipos de HPV cobertos pela vacina. Nas mulheres, a prevalência caiu de 15,6% na primeira fase para 3,1% na segunda. Entre os homens vacinados, a redução foi de 13,8% para 4,6%, embora não tenha havido mudança estatisticamente significativa entre os não vacinados, devido à baixa cobertura nesse grupo.

Imunidade de rebanho e efeitos indiretos da vacinação

A pesquisa identificou também um efeito de imunidade de rebanho, com diminuição na prevalência do HPV mesmo entre as mulheres não vacinadas, que passaram de 10,5% para valores inferiores na segunda fase. Essa tendência indica que altas taxas de vacinação ajudam a reduzir a circulação do vírus na população.

Reforço na eficácia da dose única e avanços na vacinação

O estudo reforça que o esquema de uma dose da vacina, atualmente adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é eficaz, já que não houve diferença na prevalência do vírus entre quem recebeu uma, duas ou três doses. A vacinação contra HPV no SUS começou em 2014, inicialmente para meninas, e foi ampliada para meninos em 2017. Em 2024, o esquema passou de duas para uma dose. A cobertura vacinal, no entanto, ainda precisa ser ampliada para alcançar o percentual ideal de 90%.

O HPV é o principal causador do câncer de colo do útero e também pode afetar outros órgãos. A vacina disponível no sistema público protege contra os quatro principais tipos de vírus oncogênicos, contribuindo para a prevenção de doenças relacionadas.