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Pecuária

Possíveis mudanças nas regras para uso de antibióticos preocupam pecuária e podem impactar produção

22 JUL 2026 • POR Glenda Melo • 16h52
  Reprodução

O setor pecuário brasileiro acompanha de perto as discussões sobre uma possível revisão nas normas que regulamentam o uso de antimicrobianos na criação de animais destinados ao consumo. A proposta, que está em avaliação pelo governo federal, busca alinhar a legislação brasileira às exigências sanitárias internacionais, especialmente às praticadas pela União Europeia.

A eventual atualização das regras é vista como estratégica para ampliar a competitividade do agronegócio nacional no mercado externo, mas também levanta preocupações entre produtores e entidades do setor quanto aos impactos sobre a produtividade e os custos de produção.

A proposta prevê restringir ou proibir o uso de alguns antimicrobianos considerados essenciais para o tratamento de doenças em seres humanos. A medida segue uma tendência adotada por diversos países, que buscam reduzir o risco do desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos.

Além do aspecto relacionado à saúde pública, a adequação pode fortalecer a posição do Brasil nas negociações comerciais com mercados que possuem regras sanitárias mais rígidas, como o europeu, ampliando as oportunidades de exportação de carnes e outros produtos de origem animal.

Embora reconheça a importância do controle sanitário, a cadeia produtiva avalia que a adaptação exigirá mudanças no manejo das propriedades rurais. Durante esse período de transição, especialistas do setor estimam que a produção poderá sofrer uma redução temporária, principalmente em sistemas intensivos de criação.

A expectativa é de que os produtores precisem investir em melhorias na biossegurança, no manejo dos rebanhos, na nutrição animal e em programas preventivos de saúde, reduzindo a dependência de medicamentos utilizados de forma preventiva.

O Brasil ocupa posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores mundiais de carne bovina, suína e de frango. Por isso, qualquer alteração nas regras sanitárias tem potencial para gerar reflexos em toda a cadeia produtiva, desde os pequenos produtores até as grandes agroindústrias.

Especialistas avaliam que o principal desafio será encontrar um equilíbrio entre o cumprimento das exigências internacionais e a manutenção da eficiência produtiva. A adoção de tecnologias, boas práticas de manejo e investimentos em sanidade animal são apontados como alternativas para minimizar os impactos da mudança.

Enquanto a proposta segue em análise, produtores e entidades representativas aguardam definições sobre quais medicamentos poderão sofrer restrições e qual será o prazo concedido para que o setor se adapte às novas exigências.