Policial civil preso por contrabando pela PF é demitido em Mato Grosso do Sul
21 JUL 2026 • POR Midiamax • 12h18O investigador da PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), Edivaldo Quevedo da Fonseca, foi demitido da instituição após ser preso por contrabando em março de 2026. A portaria de pessoal foi publicada na edição desta terça-feira (21) do DOE (Diário Oficial Eletrônico).
Ele foi um dos alvos da Operação Iscariotes, da PF (Polícia Federal) e da RFB (Receita Federal do Brasil), contra uma organização criminosa que recrutava policiais para o contrabando de eletrônicos. A ação teve como local principal de mandados cumpridos o Centro Comercial Popular Marcelo Barbosa da Fonseca, o Camelódromo de Campo Grande.
Quevedo respondeu a um PAD (Procedimento Administrativo Disciplinar) aberto em 2025, durante as investigações da PF e antes da operação e prisão dele.
A apuração concluiu que o investigador violou a Lei Orgânica da PCMS, usando o cargo para proveito pessoal ou de terceiros, usando recursos ou bens públicos para fins particulares e praticando atos de improbidade administrativa.
Além disso, considerou que ele não cumpriu os deveres de ser leal à instituição, desempenhar com zelo e presteza as missões, zelar pelo material do Estado, guardar sigilo e proceder de modo a dignificar a atividade policial.
A portaria com a demissão é assinada por Antonio Carlos Videira, secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública.
Operação Iscariotes prendeu policiais envolvidos com contrabando
Em 18 de março de 2026, a PF e a Receita Federal realizaram a Operação Iscariotes, para reprimir a atuação de uma organização criminosa que recrutava policiais para o contrabando de eletrônicos.
Entre os 90 mandados expedidos pela Justiça Federal, dois foram cumpridos em delegacias. Além disso, dois policiais civis foram presos em casa, em Campo Grande. Trata-se dos investigadores da Polícia Civil Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca.
O grupo era especializado na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado. Os eletrônicos eram importados sem documentação fiscal e sem a regularização dos órgãos de controle aduaneiro.
Após ingressarem com os produtos no Brasil, os criminosos distribuíam os eletrônicos, muitos fracionados, escondidos em cargas lícitas, para Campo Grande e outras cidades do país, especialmente em Minas Gerais. A organização criminosa usava veículos adaptados com compartimentos ocultos para facilitar o transporte e a distribuição dos eletrônicos.
Os criminosos também contavam com a participação de agentes vinculados a órgãos de segurança pública, alguns aposentados e outros da ativa, que usavam de suas funções para favorecer a atuação do grupo.
Os agentes forneciam e monitoravam informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais e também atuavam no transporte das mercadorias. Durante as investigações, vários criminosos foram presos em flagrante, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais.
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