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Saúde

Anvisa libera novo tratamento para câncer agressivo do sistema linfático

20 JUL 2026 • POR Glenda Melo • 17h21
  Foto: Reprodução

Pacientes brasileiros que enfrentam um dos tipos mais agressivos de câncer do sistema linfático passam a contar com uma nova possibilidade de tratamento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de um medicamento inovador destinado ao combate do linfoma difuso de grandes células B, doença que costuma evoluir rapidamente e exige intervenção médica especializada.

A aprovação, publicada nesta segunda-feira (20), representa um avanço para a oncologia hematológica ao disponibilizar uma terapia voltada principalmente para pessoas cuja doença voltou após o tratamento inicial ou apresentou resistência às abordagens convencionais.

O medicamento, denominado Columvi (glofitamabe), será administrado em conjunto com outros quimioterápicos e foi desenvolvido para estimular o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas. A estratégia terapêutica utiliza um anticorpo biespecífico, tecnologia considerada uma das mais promissoras no tratamento de alguns tipos de câncer.

A nova alternativa também contempla pacientes que, por limitações clínicas, não podem ser submetidos ao transplante autólogo de células-tronco, procedimento frequentemente indicado em casos mais complexos da doença.

Doença exige tratamento rápido

O linfoma difuso de grandes células B é o subtipo mais frequente entre os linfomas não Hodgkin agressivos. Caracteriza-se pelo crescimento acelerado das células doentes, o que torna o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento fatores fundamentais para aumentar as chances de controle da enfermidade.

Estimativas apontam que cerca de quatro mil brasileiros recebem esse diagnóstico todos os anos. Embora muitos pacientes respondam bem ao tratamento inicial, parte deles enfrenta a recidiva da doença ou não apresenta resposta satisfatória às terapias disponíveis, cenário que reduz significativamente as opções de tratamento.

Terapia pode ser feita sem internação

Segundo as informações divulgadas pela fabricante, o medicamento é aplicado por infusão intravenosa e, na maioria dos casos, não exige internação hospitalar, permitindo que o paciente realize o tratamento de forma ambulatorial.

O protocolo terapêutico prevê 12 ciclos de aplicação, com duração aproximada de oito meses, período em que a equipe médica acompanha a evolução clínica e a resposta ao medicamento.

Resultados animadores em estudo internacional

Antes da aprovação regulatória, o tratamento foi avaliado em um estudo clínico internacional publicado na revista científica The Lancet. De acordo com os dados apresentados, pacientes que receberam o novo medicamento apresentaram redução de 41% no risco de morte em comparação com o tratamento padrão utilizado atualmente.

Os resultados também mostraram índices mais elevados de remissão completa da doença, além de uma redução significativa na progressão do câncer, indicando um potencial importante para pacientes com formas mais resistentes da enfermidade.

Com a autorização da Anvisa, especialistas avaliam que o Brasil amplia o acesso a terapias de última geração para o tratamento de cânceres hematológicos, oferecendo novas perspectivas para pacientes que já haviam esgotado outras alternativas terapêuticas.