Copa 2026
Vexame do Brasil: derrota para a Noruega escancara crise, e expõe o preço da arrogância
6 JUL 2026 • POR Glenda Melo • 09h30
A derrota por 2 a 1 para a Noruega não representou apenas a eliminação do Brasil de mais uma Copa do Mundo. Ela simboliza o fracasso de um ciclo marcado por improvisos, decisões equivocadas e pela ausência de um projeto sólido para o futebol brasileiro.
O Brasil não foi eliminado apenas pela Noruega. Foi eliminado por anos de instabilidade, falta de planejamento e pela insistência em acreditar que a camisa, sozinha, ainda seria suficiente para decidir partidas.
Do outro lado estava uma seleção que talvez não tivesse o mesmo peso histórico, mas compensou qualquer diferença com organização, disciplina, humildade e respeito pelo adversário. Os jogadores noruegueses entraram em campo conscientes de suas limitações, executaram o plano de jogo com eficiência e deixaram o gramado classificados por mérito.
Enquanto isso, parte da Seleção Brasileira voltou a demonstrar uma postura que incomoda cada vez mais o torcedor. Em diversos momentos do ciclo, alguns atletas passaram a impressão de confiar mais no talento individual do que no trabalho coletivo, como se a tradição do Brasil ainda fosse suficiente para intimidar qualquer adversário. No futebol moderno, essa arrogância cobra um preço alto.
É verdade que o Brasil criou oportunidades e poderia até ter vencido a Noruega. No futebol, resultados inesperados acontecem. Mas nenhuma seleção conquista uma Copa do Mundo apostando apenas no acaso. Uma classificação sofrida pode acontecer. Duas também. Porém, não se atravessa uma competição inteira dependendo da sorte.
A eliminação é consequência de problemas antigos e conhecidos. Durante o ciclo, a Seleção passou por quatro treinadores diferentes, um técnico interino, mudanças constantes no comando e até um treinador dividindo atenções entre clube e seleção. Nunca houve continuidade suficiente para construir uma identidade de jogo.
Durante muitos anos, a enorme qualidade individual dos jogadores brasileiros foi capaz de esconder falhas estruturais do futebol nacional. Hoje, esse cenário mudou. O futebol mundial evoluiu. As seleções investiram em planejamento, ciência, análise de desempenho e continuidade de trabalho. O Brasil, por outro lado, permaneceu preso à expectativa de que o talento resolveria tudo.
Por isso, apontar um único jogador ou um treinador como responsável pelo fracasso seria simplificar um problema muito maior. A eliminação exige uma reflexão profunda sobre a forma como o futebol brasileiro vem sendo administrado, desde as categorias de base até a principal seleção do país.
A Noruega não venceu apenas pelos dois gols marcados. Venceu porque apresentou exatamente aquilo que faltou ao Brasil: organização, compromisso coletivo, humildade e um projeto consistente.
No futebol, existe uma regra que nunca falha: não se colhe aquilo que não se planta. O vexame brasileiro nesta Copa do Mundo é o resultado de um ciclo inteiro sem planejamento, sem estabilidade e sem evolução.
Se as mesmas práticas forem mantidas, os próximos torneios poderão trazer exatamente o mesmo desfecho. O problema nunca foi apenas a derrota para a Noruega. O verdadeiro adversário continua sendo a falta de direção do futebol brasileiro e a arrogância de alguns jogadores, quem sabe um dia voltaremos a ver aquele futebol bonito que tanto encantou nossa geração e carregávamos o orgulho do futebol mais respeitado do mundo, quem sabe ...
