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Agronegócio

Plano Safra 2026/2027 tem R$ 525 bilhões, mas Aprosoja/MS aponta perda real na capacidade

Entidade afirma que alta de 1,7% no volume anunciado ficou abaixo da inflação do período e que recursos para custeio caíram 7,2%.

2 JUL 2026 • POR do idest • 16h14
  (Aprosoja)

O Plano Safra 2026/2027, anunciado pelo governo federal com volume recorde de R$ 525 bilhões, não ampliou, na prática, a capacidade de financiamento dos produtores rurais, segundo levantamento da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), que aponta perda real diante da inflação acumulada no período; a entidade também identificou redução nos recursos para custeio e comercialização e aumento na fatia destinada a investimentos.

Inflação supera avanço nominal

De acordo com a equipe econômica da Aprosoja/MS, o montante cresceu 1,7% em relação ao ciclo anterior, enquanto a inflação acumulada foi de 4,72%. Com isso, a entidade calcula perda real de 2,9% na capacidade de financiamento dos produtores.

Na avaliação da Aprosoja/MS, a diferença entre o aumento nominal e a inflação reduz o poder de compra do crédito disponível para a safra 2026/2027.

Custeio recua e investimento avança

A entidade informa que os recursos para custeio e comercialização somam queda de 7,2%, o equivalente a R$ 29,8 bilhões. Essa modalidade é usada para despesas como sementes, fertilizantes, defensivos, combustíveis e outros custos operacionais da produção.

Por outro lado, os recursos destinados a investimentos cresceram 38,1%, com foco em linhas para armazenagem, irrigação, geração de energia renovável, inovação e modernização das propriedades rurais.

Disponibilidade dos recursos será acompanhada

O presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, afirma que o Plano Safra segue como instrumento de apoio ao agronegócio, mas que sua efetividade dependerá da liberação dos recursos ao longo do ciclo produtivo.

O analista econômico da entidade, Raphael Gimenes, avalia que o efeito da inflação precisa ser considerado na análise do programa e que a redução dos recursos para custeio pode limitar o acesso ao crédito usado no financiamento da safra.

Menor participação do Tesouro

A Aprosoja/MS também destaca a redução da participação dos recursos subsidiados pelo Tesouro Nacional. Segundo a entidade, apenas 24,8% dos recursos para investimento terão equalização do governo federal, enquanto 75,2% dependerão das instituições financeiras e das condições de mercado.

Segundo o analista econômico Linneu Borges Filho, esse cenário pode influenciar a oferta de crédito ao longo da safra, mesmo com a redução das taxas de juros em parte das linhas, acompanhando a queda da Selic.

Para os médios produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o Plano Safra prevê aumento de 5,1% no volume de recursos e queda da taxa máxima de juros de 10% para 9% ao ano.

A Aprosoja/MS avalia que, além do volume anunciado, será necessário acompanhar a velocidade de liberação dos recursos, a disponibilidade de crédito nas instituições financeiras e as condições de contratação durante a safra 2026/2027.