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Tecnologia no campo vai além das máquinas e aproxima jovens da ciência em assentamento de MS
Projeto desenvolvido pela UFGD em parceria com o Governo do Estado aposta em educação, inovação e pesquisa aplicada para fortalecer a agricultura familiar.
29 JUN 2026 • POR o Idest, JWC • 12h10Em uma sala cercada por lavouras no Assentamento Nova Itamarati, em Ponta Porã, jovens filhos de agricultores familiares discutem temas como inteligência artificial, produção de alimentos e desafios do cotidiano rural. O ambiente, mais próximo de um laboratório comunitário do que da imagem tradicional do agronegócio de alta tecnologia, tornou-se palco de uma iniciativa que busca aproximar ciência, inovação e realidade do campo.
O trabalho é desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), por meio do Hub de Educação e Inovação Rural, criado em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul. A proposta é utilizar educação, pesquisa e tecnologia para promover o desenvolvimento sustentável e fortalecer a permanência das famílias no meio rural.
Projeto nasceu a partir das demandas da comunidade
De acordo com a coordenadora do projeto, a médica veterinária e pesquisadora Juliana Carrijo, a iniciativa começou a partir da escuta dos moradores do assentamento, com o objetivo de identificar os principais desafios enfrentados pela comunidade antes da definição das estratégias de atuação.
"O foco sempre foi alinhar produção de alimentos, desenvolvimento sustentável e a realidade das famílias que vivem no assentamento", afirma.
A experiência desenvolvida em Nova Itamarati representa uma transformação mais ampla observada no agronegócio sul-mato-grossense, onde a tecnologia passou a abranger áreas como inteligência artificial, biotecnologia, bioinsumos e agricultura de precisão, além da tradicional mecanização agrícola.
(Foto: Divulgação Semadesc/Arquivo)
Biotecnologia desponta como setor estratégico
Entre os segmentos considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico do Estado está a biotecnologia, que reúne pesquisas voltadas à saúde animal, agricultura, sustentabilidade e desenvolvimento industrial.
A expectativa é de que o setor movimente cerca de R$ 25 bilhões em Mato Grosso do Sul até 2030. As pesquisas envolvem desde o desenvolvimento de vacinas para doenças do rebanho até soluções para problemas agrícolas, como o greening, doença que afeta plantações cítricas, além de projetos ligados à melhoria genética, produção de bioinsumos e tecnologias para a indústria sustentável.
Parte dessa estratégia inclui o incentivo às chamadas Deep Techs, startups de base científica originadas a partir de pesquisas acadêmicas. O objetivo é transformar o conhecimento produzido nas universidades em produtos, serviços e empresas com potencial de atuação nacional e internacional.
Segundo o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, a proposta é aproximar a produção científica das demandas do setor produtivo.
"A estratégia consiste em aproximar a academia do setor produtivo, criando um ambiente favorável para que pesquisadores e estudantes transformem suas descobertas científicas em produtos, empresas e novos negócios", afirmou.
(Foto: Divulgação Semadesc/Arquivo)
Inovação busca manter jovens no campo
No Assentamento Nova Itamarati, a inovação também surge como ferramenta para enfrentar um dos desafios históricos das áreas rurais: o êxodo dos jovens para os centros urbanos.
O Hub de Educação e Inovação Rural reúne professores, pesquisadores, técnicos e estudantes de graduação e pós-graduação em ações voltadas à formação tecnológica e à produção rural. Atualmente, o projeto conta com aproximadamente 60 colaboradores de diferentes áreas do conhecimento e busca recursos por meio de editais públicos de pesquisa e extensão tecnológica.
A proposta é transformar o espaço em uma vitrine tecnológica voltada à agricultura familiar, conectando o conhecimento científico aos saberes tradicionais das comunidades rurais.
Ciência aplicada integra estratégia de desenvolvimento
A aposta na ciência aplicada ao agronegócio integra uma estratégia mais ampla de Mato Grosso do Sul para diversificar a economia ligada à produção rural. Entre as áreas consideradas promissoras estão drones com inteligência artificial, agricultura de precisão e desenvolvimento de bioinsumos.
Nesse cenário, universidades e centros de pesquisa assumem papel cada vez mais próximo das cadeias produtivas, com o objetivo de transformar conhecimento científico em atividade econômica e desenvolver soluções criadas dentro do próprio Estado, com potencial de aplicação em diferentes mercados.
