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Nos bastidores da eleição funciona uma máquina de dinheiro

20 AGO 2014 • POR Carlos Pires • 09h07

Em época de eleições, a intensa caça ao voto não deixa que o povo perceba claramente os custos das campanhas. O marketing produz nos candidatos tantas máscaras que inebriam as multidões. Maquiagens nas fotos, branqueador de dentes, belos discursos de efeito contagioso, viagens para pressupor onipresença, abraços supostamente solidários e muitas promessas. Tantas que até dá inveja aos santos.
Mas, tudo isso tem um preço. Um alto preço. Embriagados pelas campanhas, os eleitores sequer imaginam os maços de notas de reais que são necessários para que os partidos políticos continuem no poder. Santinhos, adesivos, veículos com alto-falantes, almoços, combustível, anúncios na mídia e tantos outros itens de propaganda que são produzidos para sejamos convencidos a votar neles. Sim, porque cada candidato deseja algo que somente o povo tem: o voto.
Na declaração de bens que os candidatos veiculam, a gente fica até com dó. Dá vontade de fazer uma vaquinha para emprestar um dinheirinho para os coitadinhos. Dizem que o carro é velho, que somente possuem uma casinha aqui, uma fazendinha ali, umas terrinhas acolá, uma poupançazinha, uns trocados em dólares, um apartamentozinho, e por ai vai. E mesmo assim, os pobrezinhos desejam servir à pátria insistindo que estão “atendendo aos clamores do povo e, por isso, colocam seus nomes à disposição para merecerem o voto de cada cidadão.”
De repente, como num passe de mágica, o dinheiro inunda as campanhas, como se alguém abrisse as comportas de uma usina hidrelétrica. Empresários, banqueiros, industriais e similares botam fé nas campanhas, ou melhor, injetam recursos milionários. Dos totais dessas cachoeiras de dinheiro, os relatórios representam apenas a ponta do iceberg - aquela parte que é obrigatória pela lei. E antes que você pense que eles são tão bonzinhos ao financiarem as campanhas, lembre-se que essa gente ama e vive por causa de um único objetivo: o lucro.
Ora, se o candidato não tem dinheiro suficiente para se eleger e quem o apóia vai querer o retorno com lucro, então é óbvio que somos eu e você que pagaremos a conta. Por isso, depois de eleitos, a maioria deles se envolve em escândalos, corrupção e todos os nomes complicados que a lei criou para uma coisa simples chamada ‘roubo’. Pagaremos a conta, sim, porque o é dinheiro público que sai do meu e do seu bolso. O salário milionário deles somos nós que pagamos através dessa vergonha nacional chamada “salário mínimo”. 
Enquanto pagamos para eles terem magníficos planos de saúde, usamos o falido SUS. Enquanto pagamos para os filhos deles estudarem no exterior, nossos filhos usam a rede pública de ensino quando não há greve. Enquanto pagamos todas as mordomias de moradia, viagens, telefonia, automóveis importados, motoristas, seguranças, férias, recesso e até roupa nova para eles usarem toda semana, nós meros mortais chegamos ao meio do mês sem poder levar a família para dar um passeio ou sequer tomar um picolé na praça.
É. O poder custa caro e é o povo quem paga essa conta. Há milênios, essa história se repete na democracia seja de direita ou de esquerda. Talvez não consigamos viver neste Brasil onde cada candidato não seja um profissional do partido, onde cada partido não exista para mamar nas tetas do governo, onde cada governo sirva ao bem-estar do cidadão, onde cada cidadão tenha aprendido a votar, e onde cada voto signifique a construção do Estado alicerçado na ordem e no progresso, com justiça e paz, sem a necessidade do povo mendigar o pão e o direito à saúde com o mínimo de qualidade.
Mas, enquanto esse tempo não chega, pense bem a quem você dará o seu voto.