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Denúncias de violência digital contra mulheres sobem 188,6% em um ano, e Ligue 180

Entre janeiro e maio deste ano, canal recebeu 16.725 denúncias; governo também treinou atendentes e atualizou formulário de atendimento.

23 JUN 2026 • POR do idest • 16h55
  (Bruno Rezende)

As denúncias de violência contra mulheres no ambiente digital cresceram 188,6% em um ano, segundo dados divulgados na segunda-feira (22) pelo Ministério das Mulheres. Entre janeiro e maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 recebeu 16.725 registros desse tipo, ante 5.795 no mesmo período de 2025.

Ambiente digital concentra novas formas de agressão

O levantamento aponta que redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outros espaços virtuais têm sido usados para controlar, ameaçar, humilhar, expor indevidamente, perseguir, intimidar, chantagear ou ferir a dignidade e o corpo de meninas e mulheres.

Em entrevista à imprensa, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que a alta pode refletir redução das subnotificações. Segundo ela, a maior confiança no serviço e o aprimoramento do acolhimento podem estimular as denúncias.

Capacitação e novo protocolo no atendimento

Para adaptar o atendimento do Ligue 180 à violência digital, o Ministério das Mulheres, em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), qualificou cerca de 350 atendentes entre 9 de junho e esta segunda-feira.

A coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, disse que a central já recebia denúncias desse tipo, mas que a atualização do protocolo busca orientar melhor as vítimas sobre o que fazer em casos de crimes praticados em ambientes digitais.

Além da capacitação, o ministério atualizou o formulário de atendimento, com a inclusão dos tipos de violência digital. Segundo Ellen Costa, a mudança amplia o alcance do serviço para além das orientações sobre a Lei Maria da Penha.

Perfil das denúncias e das vítimas

Em média, os canais da Central de Atendimento à Mulher registram quase 3 mil ocorrências por dia. Cerca de 30% dos atendimentos são denúncias; o restante corresponde a pedidos de informação e orientação.

Os dados mostram ainda que as denúncias de violência no espaço digital passaram da sétima posição, em 2025, para a quinta, em 2026. Entre as vítimas registradas no ano passado, quase metade era de mulheres negras, seguidas por mulheres brancas.

A faixa etária com mais denúncias foi a de 35 a 44 anos, com 21,6% dos casos. Quando ampliada para 25 a 49 anos, essa faixa reúne metade do total. Em 2025, 25,7% das vítimas tinham ensino médio completo e quase metade não tinha rendimentos ou ganhava até um salário-mínimo.

Decreto presidencial orienta novas medidas

A qualificação das atendentes e a atualização do protocolo seguem o decreto presidencial nº 12.976/2026, que entrou em vigor na última sexta-feira, 60 dias após a assinatura. A norma trata da proteção de mulheres na internet, define deveres das plataformas digitais e estabelece mecanismos de prevenção e combate à violência.

A diretora na Secretaria de Políticas Digitais da Secom, Marina Pita, afirmou que o decreto busca criar um ambiente seguro para garantir a liberdade de expressão e a permanência das mulheres na internet.

Segundo ela, o texto estabelece obrigações, diretrizes e prazos de resposta para empresas de tecnologia. Entre as medidas, o decreto fixa prazo de duas horas para a remoção de imagens não consentidas de nudez ou de ato sexual privado e equipara deep nudes a imagens reais.

Márcia Lopes afirmou que o alinhamento da central ao novo decreto e os avanços da legislação integram o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, lançado em fevereiro. A ministra também defendeu a aprovação do Projeto de Lei nº 896/2023, que trata do combate à misoginia e tramita na Câmara dos Deputados.

Campanha nacional

Para divulgar o novo decreto ao poder público e à sociedade civil, o Ministério das Mulheres lançou a campanha nacional O Digital é Nosso Lugar, com o tema: Nossa Conexão é Livre. Proteja. Denuncie. Ligue 180.

Clique aqui e acesse o guia de orientação sobre violência digital contra mulheres, elaborado pelo Ministério das Mulheres em conjunto com a Secom.