Mulher
violência avança dentro das relações afetivas
23 JUN 2026 • POR Glenda Melo • 09h59A violência contra a mulher continua fazendo vítimas em Mato Grosso do Sul e um dado chama a atenção pela gravidade: as mulheres jovens e em plena fase produtiva da vida são as que mais morrem em crimes de feminicídio no Estado. Levantamento baseado em registros oficiais mostra que a maioria das vítimas tinha entre 20 e 39 anos de idade, revelando um perfil que evidencia a dimensão da violência de gênero e seus impactos sobre famílias inteiras.
Nos últimos dez anos, centenas de mulheres tiveram suas vidas interrompidas em crimes motivados pelo fato de serem mulheres. A faixa etária predominante reúne mulheres que, em muitos casos, estão construindo carreira, formando família, criando filhos ou conquistando autonomia financeira. Em vez de representar proteção, o ambiente doméstico e os relacionamentos íntimos acabam se transformando no principal cenário da violência.
Outro aspecto preocupante é que a imensa maioria das vítimas nunca chegou a solicitar uma medida protetiva. O dado reforça um desafio enfrentado pelas políticas públicas de combate à violência: muitas mulheres permanecem expostas às agressões sem conseguir romper o ciclo de ameaças, controle psicológico e violência física que frequentemente antecede o feminicídio.
Embora o perfil das vítimas tenha apresentado pequenas mudanças nos últimos dois anos, com aumento proporcional dos casos envolvendo mulheres entre 40 e 49 anos, a violência continua atingindo diferentes gerações. Isso demonstra que o problema não está ligado apenas à idade, mas à permanência de uma cultura marcada pelo machismo, pelo controle sobre a vida feminina e pela intolerância diante da autonomia das mulheres.
Os registros também revelam outro retrato dramático. Em dezenas de ocorrências, o autor do crime tirou a própria vida logo após assassinar a companheira ou ex-companheira, encerrando episódios de extrema violência que deixam famílias destruídas e filhos órfãos.
Especialistas apontam que o feminicídio costuma ser o desfecho de uma sequência de agressões, ameaças, perseguições e tentativas de controle. Em muitos casos, o agressor não aceita o fim do relacionamento ou reage de forma violenta à independência financeira, profissional ou emocional da vítima.
Até o momento, Mato Grosso do Sul já contabiliza 12 feminicídios neste ano, um número que mantém o alerta aceso para autoridades e instituições responsáveis pela proteção das mulheres. Cada caso reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção, fortalecer a rede de atendimento e incentivar denúncias antes que a violência alcance seu estágio mais extremo.
Mais do que estatísticas, os números representam vidas interrompidas e histórias que poderiam ter tido outro desfecho. O enfrentamento ao feminicídio depende da atuação integrada entre poder público, sistema de Justiça, forças de segurança e sociedade, para que sinais de violência sejam identificados precocemente e mulheres encontrem apoio antes que seja tarde.
