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Maioridade penal

CCJ aprova PEC que reduz maioridade penal para 16 anos e reacende debate no Brasil

10 JUN 2026 • POR Glenda Melo • 17h05
  Foto: Reprodução

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A medida volta a colocar em evidência um dos temas mais polêmicos da segurança pública e do sistema de justiça brasileiro.

A proposta ainda precisará passar por outras etapas de tramitação no Congresso Nacional antes de uma eventual promulgação, mas a aprovação na CCJ já provocou reações favoráveis e contrárias entre parlamentares, especialistas e entidades ligadas à defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Atualmente, a Constituição Federal estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, estando sujeitos às medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Caso a PEC avance e seja aprovada em todas as fases legislativas, adolescentes de 16 e 17 anos poderão responder criminalmente como adultos em determinadas situações previstas pela legislação.

A discussão sobre a idade para responsabilização criminal não é recente. Ao longo da história do Brasil, as regras passaram por diversas mudanças. Durante o período colonial, a responsabilização penal podia atingir crianças a partir dos sete anos de idade. Com o passar do tempo, o país adotou modelos mais protetivos, culminando na fixação da maioridade penal aos 18 anos, garantida pela Constituição de 1988.

Defensores da redução argumentam que adolescentes envolvidos em crimes graves devem receber punições mais severas e compatíveis com a gravidade dos atos praticados. Eles também afirmam que a mudança pode contribuir para a redução da sensação de impunidade.

Por outro lado, especialistas em direitos humanos, educação e proteção à infância defendem que o endurecimento das penas não resolve as causas da criminalidade juvenil. Segundo esse grupo, investimentos em educação, inclusão social e fortalecimento das medidas socioeducativas seriam mais eficazes para combater a violência.

Após a aprovação na CCJ, a PEC seguirá para análise de uma comissão especial e, posteriormente, será submetida à votação em dois turnos na Câmara dos Deputados. Se aprovada, ainda precisará passar pelo Senado Federal.

O tema promete continuar mobilizando a opinião pública e os representantes políticos nos próximos meses, diante dos impactos que uma eventual mudança poderá causar no sistema penal brasileiro e na política de proteção aos adolescentes.