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Virginia faz tratamento contra enxaqueca e especialista explica método

9 JUN 2026 • POR Por Flavia Cirino - Ofuxico • 14h10
  Reprodução/ Instagram @virginia

Virginia Fonseca chamou a atenção dos seguidores ao compartilhar um momento de seu tratamento contra a enxaqueca. Em vídeos publicados nos stories do Instagram, a influenciadora apareceu durante uma nova sessão de aplicação de toxina botulínica na região da cabeça, procedimento que integra sua estratégia para controlar as crises da doença.

Embora muita gente associe a substância exclusivamente à estética, especialistas destacam que ela também desempenha um papel importante na neurologia, especialmente para pacientes que convivem com enxaqueca crônica.

Como a toxina botulínica age contra a enxaqueca

Segundo o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em cefaleia pela Escola Paulista de Medicina, o tratamento atua diretamente nos mecanismos relacionados à dor.

“A explicação está no seu mecanismo de ação, que vai muito além do músculo e atua diretamente no sistema nervoso periférico, bloqueando a liberação de substâncias responsáveis pela sinalização da dor”, explica.

De acordo com o médico, a toxina interfere na comunicação entre os neurônios responsáveis por transmitir os estímulos dolorosos ao cérebro. Com isso, as crises tendem a se tornar menos frequentes ao longo do tratamento.

“Quando interrompemos esse processo repetidamente, o cérebro começa a desfazer o caminho da dor que havia aprendido. É por isso que, ao longo do tratamento, a frequência das crises diminui”, afirma.

Tratamento vai além da estética

Apesar de utilizar a mesma substância conhecida pelos procedimentos estéticos, o objetivo neurológico é completamente diferente. Enquanto a aplicação estética busca reduzir a movimentação muscular, o tratamento da enxaqueca tem foco no bloqueio de nervos envolvidos na dor.

“Na estética, a ideia é relaxar o músculo. Na enxaqueca, buscamos bloquear o nervo. O efeito estético que pode surgir, especialmente na região da testa, é apenas um efeito colateral do tratamento neurológico”, destaca o especialista.

Além disso, apenas a toxina botulínica tipo A possui aprovação para essa finalidade.

Aplicações seguem protocolo internacional

O tratamento segue o protocolo PREEMPT, reconhecido mundialmente para pacientes com enxaqueca crônica. Nesse modelo, os profissionais realizam aplicações em 31 pontos específicos da cabeça e do pescoço.

Segundo o neurologista, os locais têm definição estratégica e não necessariamente correspondem às regiões onde o paciente sente dor.

“A toxina não deve ser aplicada ‘onde dói’. O protocolo é fundamental para garantir eficácia e segurança”, ressalta.

Inicialmente, as sessões costumam ocorrer a cada três meses e precisam de manutenção por um período prolongado para que os resultados se consolidem.

Virginia sofre com dores por conta da enxaqueca

O tratamento não serve para interromper uma crise já instalada. Na verdade, sua função é diminuir a frequência e a intensidade dos episódios ao longo do tempo.

“Tratar enxaqueca não é tomar remédio quando a dor aparece. É fazer com que as crises não aconteçam mais. Quando alcançado, o paciente entra em remissão”, afirma o médico.

Ele também explica que, em casos mais complexos, a toxina pode combinar com terapias modernas, incluindo medicamentos que atuam sobre o CGRP, proteína diretamente relacionada ao desenvolvimento das crises.

Procedimento considerado seguro

De acordo com o especialista, a toxina botulínica apresenta um perfil de segurança elevado e possui poucas restrições clínicas.

“Inclusive, pode ser realizado por gestantes e mulheres em fase de amamentação, já que a toxina atua localmente e não tem efeito sistêmico significativo”, afirma.

Por fim, o neurologista reforça que a avaliação individual continua sendo fundamental para definir o melhor tratamento e alcançar um controle duradouro da doença.

“Com o tratamento, buscamos a possibilidade real de recuperar qualidade de vida. Mas é fundamental que a aplicação seja feita por um médico especialista”, conclui.