Sistema Pantera passa por manutenção estratégica e reforça prevenção a incêndios no Pantanal
5 JUN 2026 • POR Redação - coximagora • 15h30O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) realizou nesta semana uma operação estratégica de manutenção em uma das torres do Sistema Pantera, localizada na região da Serra do Amolar, no Pantanal. A ação contou com o apoio da Marinha do Brasil e teve como objetivo assegurar a continuidade do monitoramento em tempo real contra incêndios florestais em uma das áreas mais remotas do bioma.
Durante a operação, foram substituídas quatro baterias responsáveis por manter o funcionamento ininterrupto da estrutura, que opera 24 horas por dia, sete dias por semana. Os equipamentos garantem o fornecimento de energia para as câmeras de alta resolução instaladas na torre, fundamentais para a detecção precoce de focos de incêndio.
A complexidade logística da ação evidenciou os desafios de proteger áreas isoladas do Pantanal. Sem o suporte do helicóptero disponibilizado pela Marinha, a manutenção demoraria pelo menos três dias de deslocamento por vias terrestre e fluvial. Além disso, seria necessário transportar manualmente mais de 120 quilos de equipamentos por uma trilha íngreme na morraria local, situada a cerca de 600 metros de altitude.
Segundo o presidente do IHP, Ângelo Rabelo, o trabalho preventivo depende da integração entre diferentes instituições.
“A Marinha do Brasil é uma parceira fundamental na proteção do Pantanal. Desde a implantação do Sistema Pantera, em 2022, contamos com esse apoio para garantir a operação contínua do monitoramento. Com a detecção de fumaça entre três e cinco minutos após o surgimento do foco, ganhamos tempo para planejar ações e evitar que o fogo se transforme em um incêndio florestal. Os sistemas de monitoramento por satélite costumam identificar esses eventos apenas horas depois”, destacou.
Desenvolvido pela startup Um Grau e Meio, o Sistema Pantera é considerado uma das principais ferramentas tecnológicas de prevenção e combate aos incêndios no Pantanal. As câmeras de alta precisão monitoram uma área superior a 1 milhão de hectares e são capazes de identificar linhas de fumaça em estágio inicial. As informações são processadas instantaneamente, gerando alertas automáticos para a central do IHP, que pode acionar imediatamente a Brigada Alto Pantanal.
O alcance do monitoramento ultrapassa as fronteiras brasileiras, abrangendo também regiões da Bolívia, incluindo a Área de Manejo Integral San Matías, região estratégica para a conservação da biodiversidade. No lado brasileiro, os trabalhos conduzidos pelo IHP já registraram mais de 200 espécies de fauna, além da realização de um inventário florestal voltado à proteção de espécies vegetais ameaçadas.
Além da manutenção da torre, brigadistas do IHP realizaram, ao longo da semana, ações preventivas na Serra do Amolar. Foram executados aceiros ao redor da estrutura para ampliar a proteção contra incêndios e realizada a limpeza da área utilizada para o pouso da aeronave da Marinha.
Ao fundo, câmeras de alta precisão monitoram uma área superior a 1 milhão de hectares e são capazes de identificar linhas de fumaça em estágio inicial
As atividades preventivas desenvolvidas pela Brigada Alto Pantanal ocorrem desde janeiro. Em 2026, já foram implantados mais de 33 quilômetros de aceiros em áreas consideradas estratégicas, além de ações de apoio a comunidades e escolas rurais da região.
Os alertas gerados pelo Sistema Pantera são compartilhados com diversas instituições, entre elas os Corpos de Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul, o Prevfogo/Ibama, a Armada Boliviana, moradores de áreas remotas e proprietários rurais do Pantanal.
Alerta para o segundo semestre
A manutenção da torre ocorre em um momento de atenção crescente para as condições climáticas previstas para o segundo semestre de 2026. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou recentemente uma nota técnica indicando mais de 80% de probabilidade de formação do fenômeno El Niño entre agosto e outubro, com intensidade variando entre moderada e forte.
De acordo com o órgão, o fenômeno poderá provocar chuvas extremas na Região Sul, enquanto as regiões Norte e Nordeste tendem a enfrentar agravamento da seca e aumento do risco de incêndios. Na região central do país, onde se encontra o Pantanal, a previsão aponta para ondas de calor mais frequentes e redução da umidade do ar, fatores que elevam significativamente o risco de queimadas.
As projeções são baseadas em análises de instituições internacionais como o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Bureau de Meteorologia da Austrália (BOM).
Especialistas alertam que os impactos podem superar os registrados em 2023 e 2024, quando a combinação entre calor extremo e estiagem contribuiu para o aumento expressivo dos incêndios na Amazônia e no Pantanal. Além dos danos à biodiversidade, os incêndios representam riscos à saúde das populações locais, especialmente em comunidades isoladas, mais expostas à fumaça e com menor acesso a estruturas de proteção.
Com informações da assessoria de imprensa do IHP.
