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Homem é condenado a mais de 67 anos por matar companheira e filha de 10 meses em Campo Grande

João Augusto Borges de Almeida foi sentenciado por duplo feminicídio e ocultação de cadáver; crime ocorreu em maio do ano passado.

28 MAI 2026 • POR do Idest, com informações do Midiamax • 11h37
  Pietra Dorneles/Midiamax

João Augusto Borges de Almeida, de 22 anos, foi condenado a 67 anos e três meses de prisão pelo assassinato da companheira, Vanessa Eugênio Medeiros, de 23 anos, e da filha do casal, Sophie Eugênio Borges, de apenas 10 meses. O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (27), na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

O réu foi condenado pelos crimes de duplo feminicídio e ocultação de cadáver, devendo cumprir a pena em regime fechado.

A sentença foi assinada pelo juiz de Direito Aluízio Pereira dos Santos.

Réu alegou ter sido induzido em depoimento

Durante o interrogatório realizado no julgamento, João Augusto alegou que foi induzido a afirmar, na delegacia, que teria cometido o crime por não aceitar a separação e não querer pagar pensão.

“Eu fui induzido a falar isso. Conforme tantas perguntas sobre o mesmo assunto, acabei confirmando”, declarou.

O acusado também afirmou que teria perdido o controle após receber um tapa da companheira.

“Fora de controle, totalmente fora de controle e sem consciência. Não foi exatamente por causa de uma mulher; poderia ter sido até minha irmã. Mas eu nunca levei um tapa na cara, então, isso aí me deu um excesso de raiva”, disse.

A defesa tentou a desclassificação do crime de feminicídio para homicídio, mas o pedido não foi acolhido.

Condenação soma mais de 67 anos

João Augusto foi condenado a 31 anos de prisão pelo feminicídio de Vanessa, 31 anos e três meses pela morte da filha Sophie e mais cinco anos pela ocultação de cadáver.

Segundo relatos do julgamento, ele ouviu a sentença sem demonstrar reação.

Crime ocorreu em maio de 2025

O caso aconteceu no dia 26 de maio do ano passado. Segundo as investigações da DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa), Vanessa foi morta após o acusado chamá-la para conversar no quarto da residência do casal.

Em coletiva de imprensa na época, o delegado Rodolfo Daltro afirmou que João Augusto demonstrou frieza ao relatar o crime.

De acordo com o delegado, o acusado contou que aplicou um golpe conhecido como “mata-leão” na companheira e, em seguida, matou a filha do casal por esganadura.

Corpos foram queimados na região do Indubrasil

Após os assassinatos, João Augusto trabalhou normalmente no dia seguinte ao crime. Conforme relatado em interrogatório, ele acreditava que os corpos só seriam encontrados dias depois.

Ainda segundo a investigação, ao sair do trabalho, o acusado comprou gasolina em um posto de combustíveis e levou os corpos de Vanessa e Sophie no porta-malas de um veículo Gol até a região do Indubrasil, onde ateou fogo nas vítimas.

João Augusto foi preso no dia 27 de maio, enquanto registrava boletim de ocorrência na 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande alegando o desaparecimento da companheira e da filha.

A partir da denúncia, a DHPP iniciou as investigações que resultaram na confissão e prisão do acusado.