Polícia Científica explica como perícias em acidentes ajudam a identificar causas e evitar tragédias
Durante o Maio Amarelo, especialistas destacam que exames técnicos contribuem para esclarecer ocorrências e ampliar a segurança no trânsito.
25 MAI 2026 • POR do idest • 16h00Marcas de pneus, danos nos veículos, fragmentos, fluidos, condições da pista e posição final dos envolvidos são alguns dos elementos analisados pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS) para identificar a dinâmica de acidentes de trânsito. Durante a campanha Maio Amarelo, o trabalho pericial reforça que compreender como os acidentes acontecem também é uma forma de prevenção.
Ciência ajuda a reconstruir acidentes
Segundo o perito criminal Emerson Lopes dos Reis, diretor do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, o objetivo do trabalho não é apontar culpados, mas esclarecer tecnicamente o ocorrido.
“O papel da instituição é materializar a verdade através da ciência. Nós não buscamos culpados, buscamos entender a dinâmica do evento”, destacou.
A equipe pericial costuma ser acionada em casos com vítimas graves, mortes, suspeita de crime de trânsito ou quando há necessidade de esclarecimentos para fins judiciais.
Ao chegar ao local, os peritos realizam a análise das condições de segurança, verificam a preservação da área e iniciam registros fotográficos e medições técnicas.
(Foto: Divulgação Polícia Científica/MS)
Marcas e vestígios ajudam a explicar a dinâmica
O levantamento inclui diversos elementos encontrados na cena, como marcas de frenagem e derrapagem, provável ponto de colisão, deformações nos veículos, fragmentos, fluidos e posição final dos automóveis.
A partir dessas informações, são aplicados princípios da física e da engenharia para estimar fatores como velocidade, trajetória, direção das forças e sequência dos impactos.
“Não é achismo, é cálculo puro”, afirmou o diretor do IC ao explicar a análise das marcas de frenagem.
Além do comportamento dos envolvidos, a perícia também avalia fatores externos, como condições da pista, sinalização, iluminação, visibilidade, chuva, neblina, buracos e características estruturais da via.
Preservação do local é fundamental
Conforme a Polícia Científica, a preservação do local do acidente pode influenciar diretamente na qualidade do laudo pericial.
Segundo Emerson Lopes dos Reis, pequenas alterações podem comprometer a investigação.
“Mover um veículo ‘apenas um pouco’ ou varrer os detritos antes da nossa chegada pode inviabilizar o cálculo da velocidade ou a determinação de quem invadiu a pista contrária”, explicou.
(Foto: Divulgação Polícia Científica/MS)
Tecnologia amplia precisão das análises
A investigação pode incluir procedimentos complementares, principalmente em acidentes com mortes. No Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), exames como necropsias podem identificar se a causa do óbito ocorreu diretamente em decorrência do acidente ou por outro fator, como um mal súbito.
Além disso, veículos podem passar por análises específicas em componentes como freios, direção, cintos de segurança e airbags.
A Polícia Científica também utiliza recursos tecnológicos, como drones, scanners a laser e softwares de simulação tridimensional, permitindo maior precisão na documentação das cenas e contribuindo para a redução do tempo de interdição das vias.
Laudos ajudam a prevenir novos acidentes
Além de esclarecer uma ocorrência específica, os laudos produzidos podem auxiliar na identificação de padrões recorrentes em determinados locais, como falhas de sinalização ou problemas estruturais nas vias.
“O laudo pericial não apenas esclarece o passado, ele ajuda a projetar um trânsito mais seguro”, finalizou o diretor do Instituto de Criminalística.
