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Deolane monitorada na Itália: investigação revela elo com núcleo do PCC
25 MAI 2026 • POR Por Flavia Cirino - Ofuxico • 14h47A investigação que colocou Deolane Bezerra no centro de uma operação contra lavagem de dinheiro ganhou contornos ainda mais delicados após a revelação de que a influenciadora foi monitorada enquanto passava uma temporada de luxo em Roma, na Itália. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, as autoridades acompanharam os passos da advogada à distância com apoio da Interpol antes da prisão preventiva decretada no Brasil.
Deolane estava hospedada em um endereço de alto padrão próximo à Piazza di Spagna, uma das regiões mais valorizadas da capital italiana. Nas redes sociais, ela compartilhava vídeos, passeios e detalhes da viagem. Enquanto isso, investigadores brasileiros avançavam no rastreamento financeiro que, segundo a apuração, apontaria ligação da influenciadora com operadores ligados ao PCC.
A prisão aconteceu logo após o retorno dela ao Brasil. Conforme os investigadores, havia inclusive a possibilidade de cumprimento da ordem ainda em território italiano. No entanto, a influenciadora desembarcou em São Paulo um dia antes da deflagração da operação.
Polícia vê Deolane como peça financeira do esquema
Para os investigadores, Deolane teria exercido papel estratégico na movimentação de dinheiro atribuído à facção criminosa. A suspeita central envolve lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e integração à estrutura financeira do PCC.
O promotor Lincoln Gakiya afirmou que organizações criminosas passaram a usar influenciadores digitais para pulverizar recursos ilícitos e dificultar o rastreamento bancário.
Relatórios da perícia financeira mostram que cerca de R$ 13,6 milhões circularam nas contas pessoais da influenciadora entre 2018 e 2022. Além disso, outros R$ 14 milhões passaram pelas empresas registradas em nome dela.
Segundo a investigação, boa parte dessas movimentações não apresentou compatibilidade com contratos publicitários ou receitas formais identificadas durante a quebra de sigilo bancário.
Empresas de fachada entraram no radar
As autoridades também identificaram empresas registradas em cidades próximas ao presídio de Presidente Venceslau, no interior paulista. De acordo com os investigadores, algumas dessas firmas dividiam endereço com dezenas de outras companhias consideradas de fachada.
A operação atual surgiu a partir de uma investigação iniciada ainda em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos dentro da penitenciária onde cumprem pena lideranças históricas do PCC.
As mensagens citavam ordens atribuídas aos irmãos Marcola e Alejandro Camacho Júnior, conhecido como Marcolinha. A partir daí, a polícia chegou a uma transportadora suspeita de lavar dinheiro do tráfico internacional de cocaína.
Em outra etapa da apuração, investigadores apreenderam celulares na casa de Ciro César Lemos e da esposa dele. Nas mensagens encontradas, segundo a polícia, havia referências diretas à família Camacho e instruções sobre movimentações financeiras.
Defesa nega qualquer ligação criminosa
A defesa de Deolane rebate as acusações e afirma que a influenciadora jamais manteve relação com integrantes do PCC ou com empresas investigadas.
Representada pelo advogado Aury Lopes Jr., ela sustenta que todos os valores recebidos têm origem legal e foram declarados corretamente.
Durante audiência de custódia, Deolane afirmou que os depósitos identificados pela polícia correspondem a honorários advocatícios recebidos quando ainda atuava na advocacia criminal.
Já a defesa de Marcola questionou a inclusão do nome do líder da facção no caso. De acorro com os advogados, a investigação utiliza apenas apelidos mencionados por terceiros, sem apresentar provas diretas de envolvimento.
Após a prisão preventiva, Deolane foi transferida para o presídio feminino de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, onde permanece à disposição da Justiça enquanto as investigações continuam.
