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Deolane é presa em operação por lavagem de R$ 27 milhões

21 MAI 2026 • POR Por Raphael Araujo - ofuxico • 10h43
  Reprodução/Instagram @deolane

Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil colocou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra no centro de uma investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Os agentes cumpriram a prisão preventiva dela na manhã desta quinta-feira, 21 de maio, além de mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à influenciadora, incluindo a casa dela em Barueri, na Grande São Paulo.

Segundo o G1, além de Deolane, a Justiça também expediu mandados contra Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, que já cumpre pena em presídio federal. A operação também teve como alvos parentes do chefe da facção e pessoas apontadas como operadores financeiros do grupo criminoso.

Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, a investigação identificou um esquema milionário de lavagem de dinheiro envolvendo uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista. As autoridades consideram a empresa um dos braços financeiros da facção criminosa.

Quem são os presos e investigados

Além de Deolane Bezerra, os agentes prenderam Everton de Souza, conhecido como Player. Conforme as investigações, ele aparece em mensagens interceptadas orientando a distribuição de dinheiro da transportadora controlada pela família de Marcola e indicando contas bancárias para transferências financeiras.

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A operação também teve como alvo Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, que estaria em Madri, na Espanha. Outro investigado no exterior é Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, apontado como destinatário dos valores lavados pela organização criminosa e localizado, segundo a polícia, na Bolívia.

Ainda aparecem entre os investigados Alejandro Camacho, irmão de Marcola, e o influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, tratado por Deolane como filho de criação. Um contador ligado ao grupo também virou alvo de busca e apreensão. No total, a Operação Vérnix cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão e bloqueios financeiros.

Deolane voltou ao Brasil antes da prisão

Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a entrar na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Entretanto, ela retornou ao Brasil na quarta-feira, 20 de maio, um dia antes da operação.Logo após o desembarque, os agentes iniciaram o cumprimento das medidas judiciais autorizadas pela Justiça de São Paulo.

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Os investigadores também logo determinaram o bloqueio de R$ 27 milhões em nome da influenciadora. Segundo a investigação, ela não comprovou a origem desse valor, que apresenta indícios de lavagem de dinheiro. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e o congelamento de R$ 357,5 milhões ligados aos investigados.

Como começou a investigação

As investigações começaram em 2019, depois que a Polícia Penal apreendeu bilhetes e manuscritos com dois presos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. A partir desse material, surgiram três inquéritos sucessivos. O primeiro focou nos detentos flagrados com os documentos.

Depois, os investigadores então passaram a analisar uma referência a uma “mulher da transportadora”, mencionada nos manuscritos. Segundo os investigadores, essa mulher teria levantado endereços de agentes públicos para auxiliar ataques planejados pela facção criminosa. A partir dessa pista, nasceu o segundo inquérito, que buscou identificar a relação entre a transportadora de cargas e o PCC.

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As apurações levaram à Operação Lado a Lado, realizada em 2021. Na ocasião, aliás, o Ministério Público e a Polícia Civil identificaram movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem comprovação econômica e o uso da transportadora como peça-chave no esquema financeiro da facção.

A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central, abriu uma nova linha de investigação. Segundo o MP-SP, o aparelho revelou detalhes sobre o funcionamento da lavagem de dinheiro por meio da empresa Lado a Lado Transportes, também chamada de Lopes Lemos Transportes.

Ligações financeiras com Deolane

De acordo com a investigação, os valores movimentados pela transportadora seguiam para contas relacionadas a Marcola, Alejandro Camacho e familiares do líder da facção. Os investigadores afirmam que as contas bancárias de Everton de Souza e Deolane Bezerra foram usadas nas transações financeiras analisadas pela operação. Foi a partir dessas descobertas que nasceu a Operação Vérnix, terceira fase da investigação.

Agora, o foco está nas ramificações patrimoniais, empresariais e financeiras do suposto esquema de lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, os levantamentos então identificaram uso de empresas, recebimentos sem origem comprovada, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão ligados a Deolane Bezerra.

Ao decretar as prisões preventivas, a Justiça de São Paulo afirmou que existem “provas do crime e indícios fortes de autoria” contra os investigados. A decisão também menciona movimentações financeiras suspeitas, vínculos diretos com a organização criminosa e risco de destruição de provas ou interferência nas investigações.