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Produção de chinelos dentro de presídio auxilia internos sem assistência familiar em Dourados

Projeto desenvolvido na Penitenciária Estadual de Dourados utiliza mão de obra prisional e já produziu mais de 600 pares.

18 MAI 2026 • POR do idest • 16h44
  (Divulgação Agepen)

A Penitenciária Estadual de Dourados (PED) implantou uma oficina de fabricação de chinelos com utilização de mão de obra prisional para atender internos em situação de maior vulnerabilidade, especialmente aqueles que não recebem assistência familiar.

O projeto, denominado “PED Chinelo”, é resultado de uma parceria entre a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, por meio da direção da unidade e da Vara do Juiz das Garantias, Tribunal do Júri e Execução Penal de Dourados.

A iniciativa foi idealizada pelo juiz Ricardo da Mata Reis e busca unir assistência básica e ações de ressocialização dentro do sistema prisional.

Mais de 600 pares já foram produzidos

Segundo a direção da unidade, a ação já resultou na produção de 621 pares de chinelos destinados a internos identificados em triagem como parte do grupo mais vulnerável da penitenciária.

Os primeiros beneficiados foram reeducandos indígenas. O processo de seleção segue em andamento para ampliar o alcance do projeto dentro da unidade penal.

A produção é realizada por três internos que atuam na oficina. Conforme estabelece a Lei de Execução Penal, os participantes recebem remição de um dia da pena a cada três dias trabalhados.

A capacidade média de fabricação é de cerca de 50 pares por dia, permitindo o atendimento contínuo da demanda interna.

(Foto: Divulgação Agepen)

Projeto alia assistência e ressocialização

Os insumos utilizados na fabricação dos chinelos são adquiridos com recursos viabilizados pelo Poder Judiciário, por meio do juiz corregedor, com foco na humanização da pena.

De acordo com o diretor da PED, policial penal Leoney Martins Duarte, a produção própria representa uma alternativa funcional e sustentável para atender necessidades imediatas da população carcerária mais vulnerável.

“Essa iniciativa é uma estratégia que combina gestão, justiça e ação social dentro do ambiente prisional com foco na dignidade e na inclusão de quem mais precisa”, afirmou.

Unidade mantém atividades educacionais e profissionais

A oficina de chinelos integra outras atividades já desenvolvidas na Penitenciária Estadual de Dourados. Atualmente, mais de 31% dos internos exercem alguma atividade laboral ou educacional na unidade.

Além do ensino formal, da alfabetização ao ensino médio, a penitenciária mantém oficinas profissionalizantes nas áreas de marcenaria, costura, serralheria, pintura em tela e colagem de bolas.

A unidade também está em processo de produção e entrega de uniformes confeccionados dentro do próprio presídio para atender a população carcerária.