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Herpes-zóster acende alerta em Coxim após moradores procurarem reportagem com relatos da doença

11 MAI 2026 • POR Glenda Melo • 11h06
  Foto: Reprodução

 

Nos últimos dias, três moradores de Coxim procuraram a reportagem para relatar casos de herpes-zóster, doença popularmente conhecida como “cobreiro”, que vem preocupando pacientes pelos sintomas dolorosos e pelas complicações que podem surgir quando o tratamento não é iniciado rapidamente.

Os relatos chamaram atenção principalmente pela intensidade das dores descritas pelos pacientes. Alguns contaram que os primeiros sintomas começaram com sensação de queimadura na pele, formigamento e dores fortes em determinadas partes do corpo, antes mesmo do aparecimento das feridas. Em outros casos, os pacientes relataram dificuldades para dormir, sensibilidade extrema ao toque e até medo diante da rápida evolução das lesões.

O aumento das dúvidas em torno da doença levou a reportagem a buscar esclarecimentos médicos sobre o tema. O herpes-zóster é uma infecção causada pela reativação do vírus Varicela-zoster, o mesmo vírus responsável pela catapora. Após a recuperação da catapora, o vírus não desaparece completamente do organismo. Ele permanece alojado nos nervos e pode voltar a se manifestar muitos anos depois, principalmente em momentos de queda da imunidade.

Embora muita gente conheça a doença apenas pelo nome popular “cobreiro”, especialistas alertam que ela vai muito além de uma simples irritação na pele. Em muitos casos, o herpes-zóster provoca dores extremamente intensas e pode gerar sequelas prolongadas, principalmente entre idosos.

A reportagem conversou com o médico coxinense Fernando Fontoura, que fez um importante alerta sobre a necessidade de atenção aos sintomas iniciais e explicou que o diagnóstico precoce pode evitar complicações graves.

Segundo ele, a maioria das pessoas demora para perceber que está diante de um quadro de herpes-zóster, justamente porque os primeiros sinais podem ser confundidos com outros problemas de saúde.

“Muitas vezes o paciente sente uma dor localizada, como se fosse muscular, uma fisgada, sensação de ardência ou queimação, e acredita que seja algo relacionado à coluna, esforço físico ou até problema emocional. Só depois começam a surgir as bolhas avermelhadas na pele. Quando essas lesões aparecem, normalmente o vírus já está ativo há alguns dias”, explicou o médico.

Dr. Fernando Fontoura destacou que um dos principais sinais do herpes-zóster é que as lesões costumam surgir em apenas um lado do corpo, acompanhando o trajeto de um nervo.

“As bolhas aparecem geralmente no tórax, costas, abdômen ou rosto, sempre respeitando uma faixa específica do corpo. É muito raro que apareçam dos dois lados ao mesmo tempo. Esse padrão ajuda bastante no diagnóstico”, afirmou.

De acordo com o médico, a doença é mais comum em pessoas acima dos 50 anos, mas também pode atingir adultos mais jovens, especialmente em períodos de estresse intenso ou baixa imunidade.

“Hoje vivemos uma rotina muito acelerada, com altos níveis de ansiedade, noites mal dormidas e desgaste emocional constante. Tudo isso influencia diretamente no sistema imunológico. Quando a imunidade cai, o vírus aproveita essa fragilidade para se reativar”, explicou.

Outro ponto importante abordado durante a entrevista foi a gravidade da dor causada pela doença. Segundo o médico, muitos pacientes descrevem o sofrimento como uma das dores mais intensas já sentidas na vida.

“O herpes-zóster não provoca apenas as bolhas. O grande problema é a inflamação do nervo. Em alguns casos, o paciente sente dor até no contato da roupa com a pele. Há pessoas que não conseguem dormir, trabalhar ou realizar tarefas simples por causa do desconforto”, relatou.

Entre as complicações mais preocupantes está a neuralgia pós-herpética, condição em que a dor permanece mesmo após o desaparecimento das feridas.

“Essa dor pode durar meses ou até anos. É uma complicação bastante comum em idosos e pode comprometer muito a qualidade de vida da pessoa. Por isso insistimos tanto no diagnóstico rápido e no início precoce do tratamento”, alertou Dr. Fernando Fontoura.

O médico explicou que os medicamentos antivirais apresentam melhores resultados quando iniciados nas primeiras 72 horas após o surgimento dos sintomas.

“Quanto antes começar o tratamento, menor será o risco de complicações. Os antivirais ajudam a reduzir a multiplicação do vírus, diminuem a intensidade das lesões e aliviam o tempo de recuperação”, afirmou.

Além dos antivirais, analgésicos e medicamentos para controle da dor também podem ser utilizados, dependendo da intensidade do quadro.

A reportagem também questionou sobre formas de transmissão da doença, já que muitas pessoas acreditam que o herpes-zóster seja altamente contagioso pelo ar. Segundo o médico, isso não acontece.

“O herpes-zóster não passa pelo ar como gripe ou Covid, por exemplo. O risco está no contato direto com o líquido das bolhas. Quem nunca teve catapora ou não foi vacinado pode contrair o vírus e desenvolver catapora ao entrar em contato com essas lesões”, explicou.

Por isso, a orientação é evitar tocar nas feridas, manter boa higiene das mãos e proteger as lesões até a completa cicatrização.

A vacinação também foi destacada como uma das principais formas de prevenção. Atualmente, existem vacinas específicas contra o herpes-zóster, recomendadas principalmente para idosos e grupos de risco.

“A vacina é extremamente importante porque reduz drasticamente as chances da pessoa desenvolver a doença e principalmente suas complicações. Mesmo quem já teve herpes-zóster pode conversar com o médico sobre a vacinação”, destacou.

Além da imunização, hábitos saudáveis também ajudam na prevenção. Alimentação equilibrada, controle do estresse, sono adequado e atividade física regular contribuem para fortalecer o sistema imunológico.

Os relatos recebidos pela reportagem servem agora como um importante alerta para a população coxinense. Embora muita gente ainda trate o “cobreiro” apenas como um problema simples de pele, especialistas reforçam que a doença merece atenção e acompanhamento médico imediato.

Dor intensa, ardência, sensação de choque, formigamento e surgimento de bolhas em apenas um lado do corpo são sinais que não devem ser ignorados. Procurar atendimento rapidamente pode evitar sofrimento prolongado e complicações que, em alguns casos, acompanham o paciente por anos.