Mulher/política
Projeto histórico da vereadora Adriana Nabhan muda realidade para mulheres que ingressam na política
29 ABR 2026 • POR Glenda Melo • 11h31Por muito tempo, a política foi um espaço onde mulheres precisaram escolher entre exercer seus mandatos ou viver plenamente a maternidade. Em Coxim, essa realidade começa a mudar e com força.
A aprovação unânime do Projeto de Lei nº 4/2026, de autoria da vereadora Adriana Nabhan, não é apenas uma conquista legislativa. É um marco. Um avanço que ecoa muito além das paredes da Câmara Municipal e toca diretamente na luta histórica das mulheres por espaço, respeito e igualdade.
A proposta garante direitos essenciais como licença-maternidade de no mínimo 120 dias, afastamento parental, condições para amamentação e, principalmente, segurança para que vereadoras não precisem abrir mão de seus mandatos ao se tornarem mães.
Mas o que torna esse projeto ainda mais poderoso é o que ele representa.
Durante décadas, mulheres foram silenciadas ou afastadas dos espaços de decisão justamente nos momentos mais delicados e importantes de suas vidas: a maternidade.
Ser mãe e ser líder sempre foi um desafio imposto nunca acolhido. Esse projeto rompe com essa lógica.
Ele afirma, de forma clara, que a maternidade não diminui a capacidade política de uma mulher. Pelo contrário: fortalece, humaniza e amplia sua visão de sociedade.
A própria autora do projeto, vereadora Adriana Nabhan trouxe à tona uma realidade vivida por muitas, mas raramente debatida com seriedade.
Conciliar gestação, cuidados com um filho e a responsabilidade de representar a população não deveria ser um ato de resistência solitária. E agora, em Coxim, não será mais.
Ao transformar sua vivência em política pública, Adriana Nabhan dá voz a inúmeras mulheres que enfrentam, todos os dias, a sobrecarga invisível de provar que podem ocupar todos os espaços.
O projeto também garante algo fundamental: a continuidade do mandato. Mesmo durante a licença, não há perda de cargo, nem interrupção da atuação parlamentar. A vereadora pode participar remotamente, manter seu gabinete ativo e retornar automaticamente às suas funções. Isso muda tudo.
Porque não se trata apenas de permitir que mulheres entrem na política, mas de garantir que elas permaneçam, com dignidade e condições reais.
A aprovação unânime da proposta também envia uma mensagem poderosa: o reconhecimento institucional de que políticas públicas precisam considerar as realidades das mulheres.
Mais do que uma lei, esse projeto é um posicionamento.
É Coxim dizendo que não aceita mais que mulheres sejam colocadas à margem. Que não admite mais que a maternidade seja vista como fragilidade. Que entende que uma sociedade mais justa passa, obrigatoriamente, pela presença feminina nos espaços de decisão.
O que aconteceu em Coxim pode e deve inspirar outras cidades.
Porque quando uma mulher conquista espaço com dignidade, ela abre caminho para muitas outras.
E quando a política começa a acolher a realidade feminina, ela se torna mais humana, mais justa e mais representativa.
Coxim deu um passo importante, e esse passo tem nome, tem história e tem força de mulher.
