Operação mira esquema com medicamentos de alto custo na saúde em Mato Grosso do Sul
Ação conjunta cumpre 5 prisões e 21 mandados e apura organização criminosa envolvida em fraudes na judicialização da saúde.
23 ABR 2026 • POR do idest • 10h48Uma operação conjunta deflagrada em Mato Grosso do Sul mira um esquema suspeito de fraudes envolvendo medicamentos de alto custo no sistema de saúde pública. A ação resultou no cumprimento de cinco mandados de prisão temporária e 21 de busca e apreensão.
Força-tarefa e atuação integrada
A operação foi conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), em conjunto com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, via Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC), além da Defensoria Pública do Estado, por meio do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS), e da Receita Federal, com atuação do Núcleo de Pesquisa e Investigação (NUPEI) de Campo Grande.
As medidas cautelares foram autorizadas pelo Núcleo de Garantias da 1ª Circunscrição de Campo Grande, no âmbito de investigação que tramita sob sigilo.
(Foto: Divulgação Polícia Civil)
Investigação aponta esquema estruturado
As apurações tiveram início em setembro de 2025, a partir de notícia de fato apresentada pelo NAS, e indicaram a existência de um esquema organizado para obtenção indevida de recursos públicos.
Segundo a investigação, o grupo atuava por meio da judicialização da saúde, utilizando decisões judiciais para garantir o fornecimento de medicamentos, especialmente fármacos oncológicos de alto custo.
(Foto: Divulgação Polícia Civil)
Organização atuava em diferentes núcleos
De acordo com os elementos colhidos, a organização criminosa possuía divisão de tarefas em diferentes frentes:
- Administrativa: responsável por direcionar orçamentos e fornecer informações que conferiam aparência de legalidade às demandas judiciais;
- Jurídica: atuava na inserção das empresas investigadas nos processos, inclusive como terceiros interessados;
- Empresarial local: formada por estabelecimentos utilizados como intermediários para emissão de notas fiscais e recebimento de valores públicos, sem estrutura compatível ou autorização para fornecimento dos medicamentos;
- Assessoria de importação: responsável pela aquisição de medicamentos no exterior por valores inferiores aos cobrados do Estado, com indícios de irregularidades sanitárias.
(Foto: Divulgação Polícia Civil)
Indícios de desvio e riscos à saúde
As investigações apontam que, após a liberação de recursos por decisão judicial, parte significativa dos valores era retida pelas empresas sob a justificativa de “serviços de assessoria”, enquanto apenas uma fração era destinada à compra efetiva dos medicamentos.
Também há indícios de fornecimento de fármacos sem registro na autoridade sanitária nacional, além de falhas de rastreabilidade, transporte e armazenamento, o que pode representar risco à saúde dos pacientes.
(Foto: Divulgação Polícia Civil)
Mandados em três estados
As medidas judiciais foram cumpridas em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.
No Estado, as ações ocorreram em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Em São Paulo, os mandados foram executados na capital, além de Barueri e Itu. Já em Minas Gerais, a operação ocorreu em Nova Lima, com apoio das polícias civis locais.
Operação segue em andamento
A operação tem como objetivo reunir provas, interromper as atividades ilícitas e responsabilizar os envolvidos, além de proteger os recursos públicos e a saúde da população.
As investigações continuam e novas diligências poderão ser realizadas.
A ação integra a Operação RENOCRIM Recupera, coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), por meio da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI).
