Saúde
Entre a esperança e o peso do custo: novo tratamento contra o Alzheimer chega ao Brasil
22 ABR 2026 • POR Glenda Melo • 16h38Uma nova página começa a ser escrita no enfrentamento ao Doença de Alzheimer no Brasil e ela vem carregada de emoção, expectativa e um questionamento inevitável: quem poderá, de fato, ter acesso a essa esperança?
O medicamento Lecanemabe, que será comercializado como Leqembi, representa um avanço significativo no tratamento da doença, especialmente para pacientes em estágio inicial. Sua proposta é direta e ambiciosa: agir sobre as placas beta-amiloides no cérebro, estruturas associadas à progressão do Alzheimer. Em outras palavras, não se trata apenas de aliviar sintomas, mas de tentar desacelerar o avanço de uma das doenças mais devastadoras da atualidade.
A liberação do uso no Brasil ocorreu após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, em dezembro de 2025, consolidando o país como parte de um movimento global de adoção de terapias inovadoras. Desenvolvido pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, o tratamento chega respaldado por anos de pesquisa e grandes expectativas médicas.
Mas se por um lado a ciência avança, por outro, a realidade econômica impõe limites duros.
O preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) revela um cenário preocupante: o custo mensal pode variar entre R$ 8 mil e R$ 11 mil, dependendo do estado. Cada aplicação gira em torno de R$ 5.500. Para muitas famílias brasileiras, esses valores não são apenas altos são praticamente inacessíveis.
E é nesse ponto que a esperança encontra o seu maior obstáculo. O Alzheimer não atinge apenas a memória de quem adoece; ele transforma rotinas, abala estruturas familiares e impõe desafios emocionais profundos. Agora, com a chegada de um tratamento promissor, surge também uma nova angústia: saber que existe uma possibilidade de desacelerar a doença, mas não ter condições de alcançá-la.
Especialistas destacam que o lecanemabe não é uma cura, mas pode representar mais tempo com qualidade de vida, mais momentos de lucidez, mais histórias sendo lembradas. Para muitas famílias, isso significa tudo.
O Brasil, portanto, se vê diante de um dilema urgente: como transformar avanço científico em acesso real? Como garantir que a inovação não seja privilégio de poucos?
A chegada do novo medicamento marca um passo importante na luta contra o Alzheimer. Mas também escancara a necessidade de políticas públicas, debates sobre judicialização da saúde e alternativas que tornem o tratamento viável para a população.
Porque, no fim, a ciência pode até abrir caminhos, mas é a sociedade que decide quem poderá segui-los.
