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Violência contra mulher

Conta de luz vira ferramenta de denúncia e ajuda no combate à violência contra a mulher

10 ABR 2026 • POR Glenda Melo • 11h07
  Foto: Reprodução

Uma nova estratégia de enfrentamento à violência doméstica começa a ganhar espaço dentro dos próprios lares brasileiros. Distribuidoras de energia elétrica passaram a incluir, nas faturas mensais, mensagens de conscientização acompanhadas do número 180, canal nacional de apoio às mulheres em situação de violência.

A medida, adotada em parceria com o Governo Federal dentro do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, busca ampliar o alcance da informação e facilitar o acesso à rede de proteção. A proposta é simples, mas poderosa: usar um serviço essencial, presente em praticamente todas as residências, para levar orientação e incentivar denúncias.

No Mato Grosso do Sul, a Energisa já começou a aplicar a iniciativa. Clientes do Estado passaram a receber, nas contas emitidas a partir de março, mensagens de alerta contra a violência, com incentivo direto para que vítimas ou testemunhas busquem ajuda por meio do telefone 180.

A ação ganha ainda mais relevância diante do cenário preocupante no país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam crescimento nos casos de feminicídio, com mais de 1,5 mil mulheres assassinadas no último levantamento anual. Além disso, centenas de milhares de brasileiras continuam sendo vítimas de agressões físicas e psicológicas dentro de casa.

O número 180, coordenado pelo Ministério das Mulheres, funciona gratuitamente, de forma confidencial e ininterrupta. O canal oferece orientação, registra denúncias e encaminha os casos para os órgãos competentes. Só em 2025, o serviço já ultrapassou a marca de um milhão de atendimentos, evidenciando a alta demanda por apoio.

Especialistas destacam que levar esse tipo de informação diretamente às residências pode fazer diferença, principalmente em situações em que a vítima está isolada ou enfrenta dificuldades para buscar ajuda. Ao tornar o acesso ao 180 mais visível e constante, a iniciativa amplia as possibilidades de romper ciclos de violência que, muitas vezes, permanecem invisíveis.

No cenário estadual, os números também acendem o alerta. Apenas nos primeiros meses do ano, milhares de denúncias já foram registradas em Mato Grosso do Sul, além de casos de feminicídio que reforçam a urgência de ações preventivas e de acolhimento.

Ao transformar a conta de luz em um canal de informação e proteção, a iniciativa une serviço essencial e responsabilidade social levando não apenas energia, mas também uma mensagem clara: a violência contra a mulher é crime e não deve ser silenciada.