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Páscoa

Páscoa: entre palavras e atitudes, o verdadeiro sentido em tempos de um mundo ferido

5 ABR 2026 • POR Glenda Melo • 10h45
  Foto: Reprodução

Em meio a um mundo marcado por conflitos, desigualdades e disputas cada vez mais intensas por poder e dinheiro, a celebração da Páscoa surge como um convite urgente e muitas vezes ignorado à reflexão sobre o verdadeiro sentido da existência humana.

Mais do que uma data simbólica no calendário, a Páscoa representa, para os cristãos, a ressurreição de Jesus Cristo um marco de renovação, esperança e, acima de tudo, amor. Mas, diante da realidade atual, uma pergunta se impõe: o quanto desse significado tem sido, de fato, vivido?

Vivemos em uma era em que falar sobre amor, empatia e solidariedade se tornou comum. Discursos são facilmente compartilhados, mensagens bonitas circulam nas redes sociais, e palavras de fé ganham destaque em datas especiais. No entanto, a prática desses valores parece cada vez mais distante.

A humanidade enfrenta guerras que não são apenas territoriais, mas também ideológicas, sociais e até pessoais. Conflitos armados seguem devastando nações, enquanto, no cotidiano, pequenas batalhas silenciosas são travadas entre indivíduos movidas por intolerância, orgulho e a busca incessante por reconhecimento, poder e riqueza.

Nesse cenário, o ensinamento central da Páscoa o amor ao próximo parece estar sendo desconstruído. A lógica da competição tem, muitas vezes, falado mais alto do que a da compaixão. O sucesso individual, frequentemente medido por bens materiais, tem ocupado o espaço que deveria ser preenchido por valores humanos essenciais.

A mensagem deixada por Jesus Cristo não foi construída em discursos vazios, mas em atitudes concretas: acolher, perdoar, repartir, compreender. E talvez seja justamente aí que reside o maior desafio da atualidade transformar palavras em ações.

A Páscoa, portanto, não deveria ser apenas um momento de celebração, mas de confronto interior. Um convite para que cada pessoa reflita sobre suas escolhas, seus comportamentos e a forma como tem se relacionado com o outro. É fácil falar de amor; difícil é vivê-lo em meio às diferenças, às frustrações e às adversidades.

Em tempos em que o mundo parece caminhar em direção oposta à solidariedade, resgatar o verdadeiro significado da Páscoa se torna quase um ato de resistência. Resistir ao egoísmo, à indiferença e à lógica de que vencer é sempre passar por cima de alguém.

A data carrega, em sua essência, a ideia de recomeço. E talvez o maior recomeço necessário hoje não seja coletivo, mas individual. Pequenas atitudes, silenciosas e constantes, têm o poder de transformar realidades ainda que de forma lenta.

Mais do que celebrar, a Páscoa convida à coerência. Entre o que se diz e o que se faz. Entre a fé que se declara e a vida que se leva.

Em um mundo ferido, onde o amor parece, muitas vezes, sufocado pela ambição e pelo conflito, a verdadeira mensagem da Páscoa permanece atual e necessária como nunca.