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Crime

O que existe por trás de atitudes tão extremas como do ex-prefeito Alcides Bernal?

25 MAR 2026 • POR Glenda Melo • 13h31
  Foto: Reprodução

O episódio registrado ontem (24) em Campo Grande trouxe à tona não apenas a violência do caso, mas também um debate profundo e necessário sobre o comportamento humano em tempos de pressão constante. O ex-prefeito Alcides Bernal se envolveu em uma ocorrência que terminou com a morte de um homem. O caso segue sob investigação e a prisão preventiva do ex-prefeito foi decretada agora pouco.

Mas, para além dos detalhes que ainda serão esclarecidos, o fato escancara uma realidade cada vez mais presente: estamos vivendo no limite.

A rotina da maioria das pessoas hoje é marcada pela pressa. É acordar correndo, trabalhar sob pressão, resolver problemas ao mesmo tempo, lidar com cobranças, contas, responsabilidades e ainda tentar dar conta da vida pessoal. Pouco se descansa, pouco se respira. Vive-se no automático. E, nesse cenário, o estresse deixa de ser algo pontual e passa a fazer parte do cotidiano de grande parte da população.

Especialistas alertam que o acúmulo de tensão, somado à falta de controle emocional, pode transformar situações comuns em conflitos graves. Pequenas discussões ganham proporções perigosas, decisões são tomadas no impulso e, muitas vezes, sem qualquer reflexão sobre as consequências.

E é justamente aí que surge uma pergunta incômoda, mas necessária: as pessoas estão, de fato, refletindo sobre a gravidade dos seus atos?

Em muitos casos, a resposta parece ser não. A impulsividade tem substituído o diálogo. A raiva tem falado mais alto que a razão. E o tempo que falta para tudo no dia a dia também falta para pensar, para se acalmar, para recuar.

Casos extremos, como o ocorrido em Campo Grande, mostram que uma decisão tomada em segundos pode gerar consequências irreversíveis para várias vidas  não apenas para quem sofre diretamente, mas para famílias inteiras que passam a conviver com dor, culpa e perdas.

Vivemos uma era em que fazer várias coisas ao mesmo tempo virou regra. Estar ocupado virou sinônimo de produtividade. Mas, no meio disso tudo, o equilíbrio emocional foi ficando para trás.

Psicólogos reforçam que sinais como irritação constante, impaciência, dificuldade de lidar com frustrações e explosões de raiva são alertas claros de que algo não vai bem. Ignorar esses sinais é abrir espaço para que situações saiam do controle.

O caso envolvendo Alcides Bernal, independentemente de suas circunstâncias finais, reforça uma reflexão urgente: até onde o estresse pode nos levar?

Talvez a resposta esteja no que não estamos fazendo parar, pensar, respirar e entender que nenhuma discussão, nenhum momento de raiva, vale mais do que a vida.

Em um mundo que não desacelera, aprender a se controlar pode ser o único caminho para evitar tragédias. Esse fato deixa uma pergunta que temos feito muito ultimamente: O que está acontecendo com as pessoas?