Policia
Operação "Pombo Sem Asas" mira facção criminosa e esquema de entrada de drogas e celulares
Investigação do Gaeco aponta corrupção de servidor público para facilitar arremesso de pacotes com entorpecentes e aparelhos no complexo penitenciário.
11 MAR 2026 • POR do Idest, JWC • 16h34O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta quarta-feira (11) a Operação “Pombo Sem Asas”, com o objetivo de desarticular um núcleo de facção criminosa de atuação nacional que operava no Estado, especialmente em unidades prisionais de Campo Grande.
Esquema envolvia corrupção de servidor
De acordo com as investigações, o grupo criminoso atuava no tráfico de drogas e utilizava a corrupção de um servidor público para garantir a entrada de entorpecentes e aparelhos celulares no complexo penitenciário da Capital.
O esquema foi identificado após o compartilhamento de provas obtidas em uma investigação anterior, que resultou na exclusão de um policial militar por prática de corrupção.
Segundo o apurado, o servidor responsável pela vigilância externa nas torres do presídio recebia vantagens financeiras indevidas de internos e familiares ligados à facção criminosa. Em troca, ele permitia o arremesso de pacotes contendo drogas e celulares por cima dos muros da unidade.
(Foto: Divulgação MPMS)
Logística coordenada por detentos
As investigações apontaram que detentos coordenavam a logística externa dos arremessos, executados por integrantes da organização criminosa que estavam em liberdade.
Além disso, o grupo utilizava contas bancárias próprias e de terceiros para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas e realizar pagamentos de subornos.
A estrutura também servia para manter a comunicação dos presos com o meio externo e fortalecer a atuação da facção no Estado. Conforme o Ministério Público, a rede criminosa ainda articulava o envio de entorpecentes para outras unidades da federação.
(Foto: Divulgação MPMS)
Mandados em quatro estados
Ao todo, a operação cumpre 35 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão domiciliar em Campo Grande e nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
A investigação contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Gerência de Inteligência Penitenciária da Agepen.
As diligências também têm apoio operacional da Polícia Militar, com equipes do Batalhão de Choque, Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e das Forças Táticas do 1º Batalhão da PM e da 5ª Companhia Independente da Polícia Militar.
(Foto: Divulgação MPMS)
Origem do nome da operação
O nome da operação, “Pombo Sem Asas”, faz referência ao termo utilizado pelos próprios criminosos para denominar os pacotes com drogas e celulares lançados para dentro do presídio, chamados de “pombos”.
Esses pacotes eram arremessados manualmente ou com o uso de drones. A denominação também simboliza a ação do Estado para interromper esse fluxo, neutralizando a logística de comunicação e abastecimento de materiais ilícitos para a organização criminosa.
