Caso Nilza/Feminicídio em Coxim
Reviravolta no caso de feminicídio em Coxim: Filho tem prisão revogada
11 MAR 2026 • POR Glenda Melo • 15h12A investigação sobre o assassinato de Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, morta a facadas dentro da própria casa em Coxim, teve uma reviravolta. A Delegacia de Atendimento à Mulher de Coxim solicitou à Justiça a revogação da prisão temporária do filho da vítima, de 22 anos, após novas provas indicarem que ele não participou do crime.
No início das investigações, o jovem e o ex-marido de Nilza, Márcio Pereira da Silva, de 46 anos, foram presos em flagrante. A prisão temporária de ambos foi decretada por até 30 dias porque havia divergências nas primeiras versões apresentadas e também devido ao histórico de conflitos envolvendo o ex-companheiro da vítima.
Com o avanço das apurações, os investigadores passaram a analisar imagens de câmeras de segurança da região e colher novos depoimentos de testemunhas. O cruzamento dessas informações permitiu reconstruir os momentos que antecederam o crime.
Uma câmera instalada na casa de um vizinho registrou Nilza ainda de pé dentro da residência às 3h17 da madrugada. Em outro equipamento de monitoramento, que também captava áudio, foi possível ouvir uma discussão pouco depois da chegada de Márcio à casa, por volta das 3h da manhã.
Durante esse período, o filho da vítima foi visto circulando pelo lado de fora da residência e chegou a sair para a rua por alguns minutos. Por volta das 3h30, outra câmera registrou o momento em que ele deixa o local afirmando: “meu pai acertou ela”.
Segundo a polícia, a sequência de imagens e os depoimentos são compatíveis com a versão apresentada pelo jovem, indicando que ele presenciou o que ocorreu, mas não teve participação direta no assassinato.
Enquanto as evidências reforçaram o relato do filho, os investigadores encontraram contradições nas declarações de Márcio Pereira da Silva ao comparar sua versão com as imagens e com o laudo pericial.
Um dos pontos considerados suspeitos é o intervalo entre o momento do crime e o pedido de ajuda. De acordo com a polícia, apesar de o ataque ter ocorrido por volta das 3h30, Márcio só saiu da casa para procurar socorro às 4h17, quando Nilza já estava morta há cerca de 50 minutos.
Em uma nova vistoria realizada na residência na última semana, os policiais também encontraram uma faca escondida debaixo de um sofá, próxima ao local onde a vítima foi encontrada. O objeto apresentava manchas semelhantes a sangue e pode ter sido utilizado no crime.
Diante das novas conclusões, a Delegacia de Atendimento à Mulher também solicitou que a prisão de Márcio seja convertida de temporária para prisão preventiva, medida que permite a permanência do suspeito preso durante o andamento do processo.
O pedido agora será analisado pelo Ministério Público e pela Justiça. A expectativa da polícia é concluir o inquérito nos próximos dias, restando apenas a finalização de alguns laudos periciais que devem confirmar todos os detalhes da investigação.
