Morte no Maranhão é desmentida
19 AGO 2014 • POR • 08h55Por meio das redes, boatos sobre a chegada do ebola no Brasil têm se disseminado. Uma mensagem contendo a notícia de que um nigeriano infectado pelo vírus teria morrido em São Luís, no Maranhão, se tornou viral e vem sendo repassada até por médicos. Segundo o texto, outras cinco pessoas estariam internadas em estado grave. O Ministério da Saúde nega registros da epidemia no Brasil. Sobre o anúncio de que estaria estudando a compra do remédio experimental para tratamento da doença, feito na semana passada, informou que mantém contato com o laboratório norte-americano Mapp Biopharmaceutical, mas ainda não há previsão de que o medicamento seja adquirido pelo país.
Outro rumor sobre a doença circulou na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio. Funcionários receberam um e-mail informando que o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) está se “preparando e se atualizando continuamente” para receber casos suspeitos da infecção. Embora a mensagem explique que as medidas estão sendo tomadas porque a unidade foi indicada como referência e sustente que não há casos identificados ou pacientes com suspeita de infecção no estado, há temor entre profissionais que trabalham na manutenção em Manguinhos.
O virologista Fernando Portela Câmara, professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que, mesmo que casos da doença cheguem ao Brasil, o risco de que o ebola vire uma epidemia no país é baixo.
— Essa é uma doença da pobreza, da miséria e da imundície. As condições boas de higiene do indivíduo e do ambiente atuam como barreiras eficientes para o vírus. Quando são usados luvas, aventais e máscaras para lidar com doentes, a transmissão não acontece — explica, sem minimizar os perigos do ebola. — Só há risco quando se entra em contato com as secreções dos infectados. No entanto, quando há esse contato, a transmissão é muito eficiente.
No comunicado divulgado à imprensa, a Organização Mundial da Saúde afirma que “a escala, duração e letalidade da epidemia de ebola têm gerado um elevado nível de medo e ansiedade do público, que se estende bem além de África Ocidental. Tais reações são compreensíveis, dada a elevada taxa de mortalidade e ausência de uma vacina ou cura”. Mas desmentiu a disseminação do vírus para outras regiões.
