Saúde
Doadora de Ribas do Rio Pardo viaja a São Paulo para salvar vida com transplante de medula
Cadastro feito aos 18 anos resultou em compatibilidade e permitiu doação realizada em outubro de 2025 após convocação do Redome.
9 MAR 2026 • POR do idest • 08h57Uma moradora de Ribas do Rio Pardo foi chamada pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) e viajou a São Paulo para realizar a doação que possibilitou um transplante destinado a um paciente brasileiro. O procedimento foi realizado em 28 de outubro de 2025, anos após o cadastro feito quando ela tinha apenas 18 anos.
Cadastro começou em campanhas de doação
O convite para integrar o Redome surgiu quando ela ainda participava de campanhas de doação de sangue promovidas pelo Rotary, grupo de doadores voluntários no município.
Assim que atingiu o peso mínimo exigido, passou a doar sangue.
“Eu tinha 17 anos quando consegui doar sangue pela primeira vez”, lembra.
O cadastro como doadora de medula veio pouco depois. Na época, ela ainda tinha dúvidas sobre o procedimento.
“Perguntei se doía, me explicaram que ali era só o cadastro e que a chance de compatibilidade é rara, mas que, se acontecesse, entrariam em contato”.
Ela autorizou a inclusão dos dados e seguiu a vida normalmente, mantendo telefone e endereço atualizados.
(Foto: Divulgação SES)
Convocação após possível compatibilidade
No ano passado, recebeu uma mensagem perguntando se poderia ir até Campo Grande para realizar exames por suspeita de compatibilidade com um paciente.
Ainda não havia confirmação de que a doação seria necessária. Após realizar a coleta de sangue, ela aguardou o prazo informado, que poderia chegar a 180 dias.
A confirmação veio perto do limite do período.
“Eu disse sim na hora”, afirma.
Mãe de Liz, de 7 anos, e Leonardo, que na época tinha 1 ano e 7 meses, ela precisou reorganizar a rotina familiar para permanecer alguns dias fora de casa.
“Não hesitei, mas logo pensei: como vai funcionar? Tenho duas crianças pequenas”.
Procedimento realizado em São Paulo
Após a confirmação, ela foi encaminhada para São Paulo, onde passou por exames complementares e orientações médicas sobre as formas possíveis de doação.
No caso dela, foi utilizado o método de aférese, em que o doador recebe medicação por alguns dias para aumentar o número de células-tronco na corrente sanguínea. Em seguida, o sangue é coletado por uma máquina que separa as células necessárias e devolve o restante ao organismo.
Todo o procedimento é realizado em centro especializado e custeado pelo Redome, Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Ministério da Saúde.
Ela permaneceu cerca de seis horas ligada ao equipamento.
“Eles explicam tudo com muita clareza. Me senti segura o tempo todo”, relata.
(Foto: Divulgação SES)
Período longe da família
Ao todo, foram nove dias em São Paulo, período que ela considera o momento mais difícil da experiência.
“Ficar nove dias longe deles pesou muito. Meu filho ainda era muito pequeno. Eu já não amamentava, mas o apego é muito forte. Mas eu sabia que era por uma causa valiosa”.
Havia ainda a possibilidade de uma segunda coleta, caso a quantidade de células não fosse suficiente. Quando recebeu a confirmação de que a primeira coleta havia atendido à necessidade, a emoção tomou conta.
“Quando a médica disse que tinha dado certo e que não precisaria repetir, eu desabei. Foi uma emoção muito grande”.
Anonimato e incentivo à doação
O processo ocorre de forma sigilosa, e a doadora não recebe informações detalhadas sobre quem recebeu o transplante. Ela sabe apenas que o paciente é brasileiro.
“A gente pensa na pessoa que está do outro lado, esperando. Eu espero que esteja bem, que tenha saúde. Que isso tenha sido um recomeço”.
De volta à rotina na loja de roupas infantis onde trabalha, em Ribas do Rio Pardo, ela decidiu compartilhar a experiência para incentivar outras pessoas.
“Doem sangue. Se cadastrem como doadores de medula óssea. É algo que pode mudar completamente a vida de alguém”.
(Foto: Divulgação SES)
Cadastro de doadores em Mato Grosso do Sul
A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue e o transplante é indicado para pacientes com doenças que afetam essas células.
Para se cadastrar como doador voluntário é necessário:
Ter entre 18 e 35 anos e 9 meses
Não ter doença infecciosa ou incapacitante
Não apresentar doença neoplásica, hematológica ou do sistema imunológico
Em Mato Grosso do Sul, o cadastro pode ser feito nas unidades da rede Hemosul, em Campo Grande e no interior do Estado.
Segundo a chefe do Setor de Captação do Hemosul, Lucéia Fernandes, dados do Redome apontam que sete pessoas de Mato Grosso do Sul efetivaram a doação de medula óssea em 2024.
Atualmente, o Estado soma 197.502 cadastros de doadores voluntários de medula óssea, registrados entre 2001 e 2025.
“Cada novo cadastro representa uma possibilidade concreta de compatibilidade para quem aguarda um transplante. Por isso, é fundamental manter telefone e endereço sempre atualizados”, reforça.
