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Menina de 9 anos morre em Campo Grande; polícia apura suspeita de "desafio do desodorante"

Criança foi levada à UPA Universitário após ser encontrada desacordada em casa; ocorrência foi registrada como morte decorrente de fato atípico.

5 MAR 2026 • POR do Idest, com informações do CGNews • 15h25
  (Reprodução CGNews)

A morte de uma menina de 9 anos em Campo Grande, nesta quarta-feira (4), acendeu um alerta preocupante para pais e educadores sobre os chamados “desafios virais” da internet. A suspeita é de que a criança tenha participado do chamado desafio do desodorante, prática perigosa que circula principalmente em redes sociais e incentiva a inalação de aerossóis.

Circunstâncias da ocorrência

De acordo com o registro policial, o pai da menina relatou que saiu de casa com a esposa para uma consulta médica do filho recém-nascido e deixou a filha aos cuidados de uma tia.

Ao retornar por volta das 14h20, perguntou pela criança e foi informado de que ela estaria dormindo. No entanto, ao tentar acordá-la, percebeu que ela não respondia.

A menina estava deitada de bruços, com um tubo de desodorante próximo ao corpo. Segundo o relato, apresentava lábios roxos e não reagia. O pai ainda tentou reanimá-la com respiração boca a boca e massagem cardíaca. Durante a tentativa de socorro, a criança chegou a vomitar, mas não voltou a respirar.

Ela foi levada por meios próprios à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Universitário, onde equipes médicas também realizaram tentativas de reanimação, sem sucesso. O óbito foi constatado por volta das 15h.

O caso foi registrado como morte decorrente de fato atípico e exames necroscópicos devem apontar a causa da morte.

Desafios virais preocupam especialistas

A suspeita de participação no chamado desafio do desodorante reacende o alerta de especialistas sobre os chamados “desafios virais” da internet. Esses conteúdos se espalham rapidamente nas redes sociais e incentivam crianças e adolescentes a realizar ações de risco em busca de curtidas, visualizações e popularidade online.

Entre os exemplos mais conhecidos estão desafios como o do desodorante, do Superman, do desmaio e da tarja preta, que têm se espalhado em velocidade cada vez maior nas plataformas digitais.

O que antes era visto como uma prática isolada, muitas vezes copiada de um influenciador ou youtuber, hoje passou a circular de forma organizada em grupos nas redes sociais.

Como os desafios circulam nas redes

Especialistas explicam que muitos desses desafios são compartilhados por meio de links que levam adolescentes a grupos privados. Nesses espaços, os participantes recebem propostas de “brincadeiras” que envolvem comportamentos extremos.

Entre as práticas sugeridas estão ingestão de grandes quantidades de medicamentos, inalação de aerossóis e outras condutas de risco, geralmente associadas à busca por visibilidade nas redes sociais.

Estudos também indicam que as hashtags utilizadas para divulgar esses conteúdos frequentemente combinam o nome do desafio com termos ligados à saúde mental, estratégia que amplia o alcance entre adolescentes psicologicamente vulneráveis.

Um dos exemplos mais recentes é o chamado “Desafio do Paracetamol”, que ganhou repercussão internacional após a internação de várias crianças entre 11 e 14 anos com intoxicação no Hospital Materno-Infantil de Málaga, na Espanha, caso destacado pelo jornal espanhol El País.

Dados sobre mortes relacionadas a desafios

Levantamento do Instituto DimiCuida aponta que, entre 2014 e 2025, ao menos 61 crianças e adolescentes com idades entre 7 e 18 anos morreram no Brasil após participarem de desafios compartilhados nas redes sociais.

Os dados são compilados a partir de casos divulgados na imprensa ou relatados por famílias que procuram organizações da sociedade civil dedicadas à proteção de crianças e adolescentes.

O Ministério da Saúde não possui estatísticas oficiais específicas sobre mortes ou internações relacionadas diretamente a esse tipo de prática.

Especialistas alertam ainda que muitos desafios continuam circulando nas redes mesmo após denúncias e remoções, muitas vezes adaptados em novas versões.

Sinais de alerta para pais e educadores

Alguns comportamentos podem indicar que crianças ou adolescentes estejam envolvidos em desafios perigosos, como isolamento repentino, irritabilidade frequente, dores de cabeça intensas e uso constante de roupas que cubram todo o corpo, possivelmente para esconder manchas ou marcas.

Embora esses sinais não confirmem necessariamente a participação em desafios, especialistas afirmam que eles devem servir como alerta para pais, familiares e educadores.

O crescimento desse tipo de conteúdo ocorre em um cenário de acesso cada vez mais precoce à internet.

Estudo do Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância aponta que 44% das crianças de até dois anos já estão online no Brasil. Já a pesquisa TIC Kids Online Brasil indica que cerca de 24,5 milhões de pessoas entre 9 e 17 anos utilizam internet no país, o que representa 93% dessa faixa etária.

Orientação sobre o uso da internet

Diante desse cenário, especialistas defendem que adolescentes com menos de 14 anos não tenham acesso irrestrito a celulares e que o uso das redes sociais seja supervisionado por pais ou responsáveis.

Quando o acesso ocorre, a orientação é que sejam utilizados aplicativos de controle parental ou que sejam estabelecidos acordos claros sobre o tempo e o tipo de conteúdo consumido na internet.