Mês da mulher
Mês das Mulheres: Temos realmente motivos para comemorar? flores não apagam estatísticas de morte
3 MAR 2026 • POR Glenda Melo • 16h25
Todos os anos os mesmos rituais, março chega, as vitrines são enfeitadas, as redes sociais repletas de homenagens e frases sobre força, superação e empoderamento. Mas, em meio às celebrações do Mês das Mulheres, uma pergunta precisa ser feita com coragem: há realmente motivos para comemorar? Vamos refletir sobre os últimos anos.
Queridos leitores, desculpem o desabafo, mas precisamos falar sobre o 8 de março e sinceramente eu já estou há alguns anos bastante cansada de contar histórias cruéis e tristes de mulheres que foram mortas em nome de um AMOR que eu nunca vou entender que tipo de amor é esse.
Há menos de 15 dias, uma mulher foi assassinada em Coxim. Mais um nome “NILZA” que entra para uma lista dolorosa que não para de crescer. Mais uma família destruída. Mais um caso que poderia ser apenas estatística, mas que representa uma vida interrompida pela violência, segundo relatos Nilza era uma mulher honesta, trabalhadora, cumpridora de seus deveres e obrigações, mas isso não impediu que ela fosse morta com um golpe fatal de faca no abdômen.
A realidade que incomoda
Em Mato Grosso do Sul, os números de feminicídio continuam alarmantes. Apenas nos primeiros meses de 2026, pelo menos quatro mulheres já foram mortas por razões de gênero no estado. Uma conta assustadora mostra que quase 60 mulheres são agredidas por dia no estado.
No cenário nacional, o quadro também é grave. O Brasil registrou, em 2025, quase 6.900 casos de feminicídios consumados ou tentados o equivalente a quase seis mulheres por dia tendo suas vidas ameaçadas ou tiradas simplesmente por serem mulheres.
Esses números não são frios. Eles têm rosto, nome, história.
Comemorar o quê?
É verdade que houve avanços. A legislação ficou mais rígida, as denúncias aumentaram, o debate ganhou espaço. Mas a cada nova morte, a sensação é de que estamos correndo atrás do prejuízo sempre depois que a tragédia já aconteceu.
Celebrar conquistas é legítimo. Ignorar a realidade, não
Como falar em empoderamento quando mulheres ainda vivem com medo dentro da própria casa?
Como distribuir flores enquanto mães são enterradas?
Como promover eventos festivos quando a violência segue batendo à porta?
O caso recente em Coxim não é isolado. Ele é reflexo de uma cultura que ainda naturaliza o controle, a agressão silenciosa que começa com palavras e termina em crime.
O mês deveria ser de reflexão
Talvez março não devesse ser apenas um mês de celebração, mas principalmente de enfrentamento. De cobrança por políticas públicas mais eficazes. De garantia de que medidas protetivas sejam realmente cumpridas. De fortalecimento das redes de apoio. De educação para que a próxima geração não repita os mesmos ciclos de violência.
Porque enquanto mulheres continuarem morrendo, qualquer comemoração será incompleta.
O Mês das Mulheres precisa deixar de ser apenas simbólico. Precisa ser um grito coletivo por mudança. Um chamado à responsabilidade da sociedade, das autoridades e de cada cidadão. Lembrando que essa matéria não é sobre crítica, é sobre reflexão!!!
Antes das flores, é preciso garantir vidas.
E enquanto houver uma mulher sendo assassinada por ser mulher, a pergunta continuará ecoando: temos mesmo o que celebrar?
