Política Coxim
Sessão de 8 horas, marcada por ataques e tensão extrema, termina com vitória apertada de Lourdes
26 FEV 2026 • POR Glenda Melo • 19h32Depois de quase nove horas de embates intensos, acusações diretas e sucessivos pedidos de silêncio no plenário, a Câmara Municipal de Coxim decidiu, por 7 votos a 5, rejeitar o relatório da Comissão Processante e manter no cargo a vereadora Lourdes da Silva, conhecida como Lourdes da Assistência Social, filiada ao Podemos.
A sessão desta quinta-feira (26) entrou para a história política do município como uma das mais turbulentas já registradas. O clima foi de confronto aberto entre parlamentares, com discursos duros e acalorados.
A jornalista que vos escreve esteve do início ao final dessa sessão histórica para Coxim, uma longa e cansativa sessão que só terminou pouco mais das 17:00 horas, conduzida com tranquilidade e sabedoria pelo vereador e presidente da casa de leis Luiz Eduardo que fez toda diferença nos momentos de tensão e olha que não foram poucos.
O relatório da Comissão Processante recomendava a cassação do mandato sob a acusação de acúmulo ilegal de funções públicas. Lourdes exercia a função de assistente social no Hospital Regional de Coxim, administrado pela Fundação Estatal de Saúde do Pantanal, simultaneamente ao mandato parlamentar situação vedada pelos artigos 36 e 37 da Lei Orgânica Municipal.
A vereadora não era concursada e foi desligada do hospital nesta semana após recomendação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que determinou a convocação de profissional aprovado em concurso para ocupar a vaga.
Na defesa da vereadora as colegas vereadoras Adriana Nabhan e Simone Gomes disseram que existe na casa preconceito por serem mulheres, já o vereador Marcinho Souza disse que abriu mão do seu emprego para se dedicar de maneira integral ao cargo de vereador e que a vereadora Lourdes deveria ter feito o mesmo. Em dado momento o clima ficou quente, mas no final entre mortos e feridos salvaram-se todos e a sessão prosseguiu.
A defesa sustentou que o afastamento do cargo eliminaria o motivo do processo e que a cassação seria desproporcional. Já vereadores favoráveis à perda do mandato afirmaram que a irregularidade existiu e feriu a legislação municipal, tornando inevitável a punição política.
O plenário virou palco de um confronto direto entre as duas correntes. Houve trocas de acusações, discursos exaltados e momentos de forte tensão que refletiram a profunda divisão interna do Legislativo.
Votação apertada mantém mandato
Votaram pela permanência da vereadora:
Ademir Peteca (Republicanos)
Adriana Nabhan (MDB)
Batista Pescador (PT)
Jeferson Aislan (Republicanos)
Lúcia da AAVC (PP)
Maurício Helpis (PSDB)
Simone Gomes (Republicanos)
Votaram pela cassação:
Abílio Vaneli (PT)
Johnny Guerra Gai (PP)
Luiz Eduardo dos Santos (PP)
Marcinho Souza (União)
Wiliam Meira (PSDB)
O resultado apertado provocou reações imediatas dentro e fora do plenário comemoração entre apoiadores e indignação entre os que defendiam a cassação.
Vereadora fala com exclusividade ao Jornal Diário do Estado
Em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado, Lourdes falou de forma emocionada após a decisão.
“Eu sempre confiei na Justiça e na verdade, porque sabia, no fundo do meu coração, que não estava infringindo a lei. Minha consciência está tranquila. Sempre atuei com transparência e responsabilidade, tanto no mandato quanto no meu trabalho como assistente social. Hoje saio desta sessão com o sentimento de alívio por poder continuar representando a população e os mais de quinhentos votos que tive, mas também com o coração profundamente magoado.”
A vereadora também lamentou o desligamento do Hospital Regional.
“Estou feliz pelo resultado, mas extremamente triste por ter sido retirada do Hospital Regional, onde sempre trabalhei com dedicação, respeito pelas pessoas e compromisso com cada família atendida. Ali não era apenas um emprego, era uma missão de vida, em todos esses anos que atuei no hospital nunca faltei, como aqui na câmara municipal também, Sempre tratei cada paciente com humanidade, escutei suas dores e procurei ajudar da melhor forma possível. Saio de lá com a consciência tranquila e a certeza de que cumpri meu dever.”
Ela ainda destacou que o episódio deixou marcas pessoais.
“Foram dias muito difíceis, de julgamentos e ataques que machucam não só a mim, mas minha família e as pessoas que confiam no meu trabalho. Mesmo assim, sigo de cabeça erguida, com fé e com a vontade de continuar trabalhando por quem mais precisa.”
A sessão terminou, mas o clima de tensão permanece nos bastidores. O episódio expôs fissuras profundas no Legislativo e deve impactar o cenário político local, marcando um dos capítulos mais intensos e polarizados da história recente da Câmara de Coxim, a câmara segundo a própria vereadora possui dois grupos e que agora segundo ela mesma ficou muito claro com quem pode ou não contar ali dentro. Bom, novela encerrada e que agora todos os vereadores possam focar na demanda mais importante para o povo de Coxim: RECUPERAR COXIM.
