Saúde
Medicamentos para emagrecimento passam a exigir pausa antes da doação de sangue no Brasil
3 FEV 2026 • POR Glenda Melo • 16h10O Ministério da Saúde atualizou as regras nacionais para doação de sangue e estabeleceu novos critérios envolvendo o uso de medicamentos emagrecedores à base de agonistas do receptor GLP-1, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. A mudança já está em vigor e impacta diretamente possíveis doadores que fazem uso dessas medicações.
A nova diretriz define que pessoas que utilizam esses medicamentos devem respeitar um período de inaptidão temporária de 14 dias para doar sangue em três situações específicas: início do tratamento, aumento de dose ou presença de reações adversas relacionadas ao uso do medicamento. A medida busca reduzir riscos durante o processo de doação e preservar a saúde dos voluntários.
Entre os medicamentos enquadrados nas novas orientações estão nomes conhecidos do público, como Ozempic, Wegovy, Victoza e Saxenda, além de outros fármacos aprovados no país com a mesma base terapêutica. Esses medicamentos podem provocar efeitos como desidratação, náuseas e alterações metabólicas, fatores que podem comprometer a segurança durante a coleta de sangue.
Antes da atualização, hemocentros brasileiros adotavam prazos variáveis e, em muitos casos, mais longos para liberação de doadores em uso desses medicamentos. Com a padronização nacional, a expectativa é facilitar a triagem, garantir maior segurança clínica e manter o equilíbrio entre a necessidade de estoques de sangue e a proteção da saúde dos doadores.
Especialistas reforçam que pessoas interessadas em doar sangue devem sempre informar corretamente o uso de medicamentos durante a entrevista clínica, etapa essencial para avaliação individual antes da coleta. A recomendação geral é procurar o hemocentro mais próximo para esclarecimentos, principalmente em caso de início recente de tratamento ou mudança de dose.
A atualização faz parte do processo contínuo de revisão das normas de segurança transfusional no país, acompanhando a evolução do uso de novos medicamentos e seus possíveis impactos na saúde pública.
