Logo Diário do Estado

Ciência

Nascimento de jararacas permite estudo de veneno juvenil de interesse farmacêutico em universide

Filhotes pesam cerca de 11 g e medem aproximadamente 15 cm; equipe mantém monitoramento individual e acompanha a fêmea.

28 JAN 2026 • POR Idest • 09h10

Uma jararaca-do-cerrado deu à luz 17 filhotes no Biotério da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande, enquanto o animal permanecia em quarentena após ter sido resgatado na Fazenda-Escola da instituição; o nascimento foi identificado durante a rotina de manejo na madrugada desta terça-feira, 27 de janeiro de 2026.

Nascimento foi identificado durante rotina de manejo

De acordo com o relato da estagiária Yasmin Domingos, do 5º semestre de Medicina Veterinária, a equipe fazia a vistoria diária do animal quando percebeu a presença dos filhotes. Segundo ela, era conhecido que se tratava de uma fêmea, mas não havia confirmação de gestação.

No momento do parto, a serpente estava na sala de quarentena, onde os animais ficam por cerca de 90 dias antes de serem encaminhados à área de produção de veneno.

Filhotes nascem aptos e com veneno funcional

Os filhotes pesam cerca de 11 gramas e medem aproximadamente 15 centímetros. Conforme a estagiária, as serpentes não apresentam cuidado parental, e os recém-nascidos já estão aptos à sobrevivência.

A espécie é vivípara, com gestação estimada entre quatro e seis meses, e os filhotes já nascem com veneno funcional.

Monitoramento individual e acompanhamento da mãe

A responsável pelo Biotério da UCDB, a médica veterinária e bióloga Paula Helena Santa Rita, informou que os filhotes serão mantidos em cativeiro e monitorados individualmente nos primeiros dias.

Segundo ela, os recém-nascidos devem ficar em observação por pelo menos sete dias, com controle de umidade e temperatura e acesso à água, além de alimentação prevista para ocorrer em seguida. A fêmea seguirá sob acompanhamento, com previsão de ultrassom e suplementação.

Relevância científica e interesse no veneno juvenil

Paula Helena Santa Rita também afirmou que o nascimento tem relevância científica por possibilitar o estudo do veneno juvenil, apontado como de difícil acesso devido à quantidade reduzida em filhotes e à disponibilidade limitada de indivíduos.

A jararaca-do-cerrado é descrita como nativa do bioma, considerada vulnerável e alvo frequente de biopirataria por características do veneno, de interesse da indústria farmacêutica.

Biotério reúne mais de 400 serpentes

O Biotério da UCDB abriga mais de 400 serpentes, sendo 360 peçonhentas. Entre elas, há 33 urutus-cruzeiro, espécie nativa do Cerrado.

O trabalho de resgate dos animais é realizado em parceria com o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), a Polícia Militar Ambiental (PMA) e o Corpo de Bombeiros.