Saudade
Adeus, orelhão: você também é dessa época?
23 JAN 2026 • POR Glenda Melo • 09h19Eles sempre estiveram ali. Na esquina, em frente à escola, na praça central, perto do comércio. Discretos, resistentes ao sol e à chuva, os orelhões fizeram parte da paisagem urbana brasileira por décadas. Agora, começam a desaparecer das ruas do país e Coxim também se despede desse símbolo que atravessou gerações, marcando oficialmente o fim de uma era.
Muito antes dos celulares caberem no bolso, o orelhão era ponte entre pessoas, urgência em forma de ficha, voz que atravessava distâncias. Era ali que se avisava que havia chegado bem, que se pedia ajuda, que se dava uma notícia importante. Para muitos, foi o primeiro contato com a tecnologia da comunicação fora de casa. Para outros, era o único meio possível.
Em Coxim, não foi diferente. Os orelhões estiveram presentes no dia a dia da cidade, acompanhando o crescimento urbano, as mudanças de costumes e a evolução do tempo. Hoje, quase esquecidos, alguns ainda resistem parados, silenciosos como testemunhas de um passado recente, quando esperar a vez e procurar moedas fazia parte da rotina.
A retirada desses equipamentos não é apenas uma mudança tecnológica. É também uma despedida simbólica. O avanço dos celulares e da internet tornou os orelhões obsoletos, mas não apagou sua importância histórica. Eles foram essenciais em um tempo em que se comunicar exigia presença física, paciência e, muitas vezes, improviso.
O silêncio que agora ocupa o lugar dessas antigas ligações carrega memória. Memória de encontros marcados às pressas, de chamadas rápidas sob o sol forte, de conversas curtas porque a fila crescia. Memória de uma Coxim que se conectava fio por fio, voz por voz.
O mundo mudou, a tecnologia avançou e isso é inevitável. Mas, ao ver um orelhão sendo retirado, fica a sensação de que não é apenas um objeto que vai embora, e sim um pedaço da história coletiva. Uma lembrança de quando comunicar era um gesto simples, porém cheio de significado.
Assim, Coxim se despede dos orelhões com saudade. Eles cumpriram seu papel, ligaram histórias, aproximaram pessoas e agora descansam na memória. Alguém aí lendo essa matéria como eu faz parte da geração que usou muito os orelhões?
