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Saúde

Você tem asma? Essa matéria então é para você

Exame de sangue pode antecipar crises de asma anos antes dos sintomas

20 JAN 2026 • POR Glenda Melo • 10h26
  Cnordic Nordic - Pexels

Uma descoberta científica promissora pode transformar o acompanhamento de pessoas com asma e mudar a forma como a doença é tratada ao longo do tempo. Pesquisadores identificaram um novo método capaz de prever crises asmáticas com vários anos de antecedência, mesmo em pacientes que aparentam estar com a doença controlada.

A técnica utiliza um exame de sangue inovador, que permite identificar quais pessoas têm maior risco de enfrentar crises no futuro. A pesquisa foi desenvolvida por cientistas do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, em parceria com o Instituto Karolinska, da Suécia, e teve seus resultados divulgados nesta segunda-feira (19) em uma das mais respeitadas revistas científicas do mundo, a Nature Communications.

Atualmente, um dos maiores desafios no tratamento da asma é a falta de marcadores confiáveis que indiquem quais pacientes podem sofrer agravamentos da doença ao longo dos anos. Muitas pessoas mantêm os sintomas sob controle por longos períodos, mas ainda assim acabam surpreendidas por crises graves.

Foi justamente essa lacuna que motivou o estudo. Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados clínicos e amostras de sangue de mais de 2,5 mil pessoas com asma, acompanhadas durante décadas em três grandes grupos populacionais distintos.

O diferencial do estudo está no uso da metabolômica, uma técnica avançada que investiga pequenas moléculas presentes no sangue e revela como o metabolismo do organismo funciona em diferentes situações de saúde e doença.

A análise mostrou que o risco de crises de asma está ligado ao equilíbrio entre dois grupos de substâncias produzidas pelo próprio corpo. De um lado estão os esfingolipídios, componentes importantes da estrutura das células e envolvidos em processos inflamatórios. Do outro, os esteroides, que incluem hormônios fundamentais para o controle das respostas do sistema imunológico.

Mais do que a quantidade isolada dessas substâncias, o fator decisivo foi a proporção entre elas no sangue. Quando esse equilíbrio está alterado, o risco de crises futuras aumenta de forma significativa.


Os pesquisadores destacam que a descoberta pode abrir caminho para uma medicina mais preventiva e personalizada, permitindo que médicos identifiquem pacientes de maior risco com antecedência e ajustem o tratamento antes que crises ocorram.

Embora mais estudos ainda sejam necessários antes da aplicação ampla do exame na prática clínica, a descoberta representa um passo importante para reduzir internações, melhorar a qualidade de vida de pessoas com asma e evitar complicações graves da doença, é a ciência sempre ao nosso favor.