Complicações da zika tiram sono de cientistas
17 FEV 2016 • POR Bom dia Brasl • 11h48Aumento da lista de complicações da zika preocupam os cientistas brasileiros. Uma série de outras doenças também estão sendo associadas ao zika vírus. Pela primeira vez no Brasil pesquisadores da UFRJ decodificaram o código genético do vírus da zika encontrado no líquido amniótico, que envolve o bebê durante a gestação.
Os estudos começaram em novembro e foram feitos em oito bebês que nasceram em Campina Grande, na Paraíba. Dois deles morreram 48 horas depois do parto.
“Cada vez mais, a gente aproxima para mostrar, por exemplo, a presença do vírus no cérebro dessas crianças que há sim uma relação de correlação, mas correlação não pode ser traduzida em casualidade, ou seja ainda não é a prova definitiva da causa, do vírus causando a doença”, diz o geneticista e diretor do Instituto de Biologia da UFRJ, Rodrigo Brindeiro.
Os pesquisadores descobriram também outras lesões cerebrais como a ventriculomegalia grave, quando o cérebro tem mais líquido do que deveria e não se desenvolve, e atrofias como a artrogripose, que endure a musculatura e as articulações. Outra descoberta importante é que essas lesões podem ocorrer mesmo que o bebê não tenha microcefalia.
“Outra mensagem do acompanhamento dessas oito crianças é que o perímetro cefálico ao nascimento pode mentir, a criança pode nascer com o perímetro normal, e ter alterações intracerebrais drásticas”, explica o virologista e pesquisador da UFRJ Amilcar Tanuri.
Por isso os casos agora serão chamados de síndrome congênita do vírus da zika. “Essas várias facetas da mesma doença, elas podem estar relacionadas a fatores que a gente ainda desconhece, que podem ser talvez quem sabe, o próprio tempo de exposição, ou tempo de infecção ao longo da gravidez da mãe, mas pode ser também um tipo de resposta maior ou menor; capacidade de resposta imune da mãe ao vírus”, afirma Rodrigo Brindeiro. Os casos têm uma incidência baixa. Os pesquisadores suspeitam que a taxa de transmissão do vírus da zika para os bebês no útero não passe de 5%. Mas quando acontece, a consequência é devastadora.
“Nós infelizmente temos muito mais pontos de interrogação do que respostas, mas a cada novo achado a gente tenta avançar um pouco mais”, afirma o virologista Amilcar Tanuri.
Ainda de acordo com o virologista, o próximo passo é descobrir se o vírus ainda está presente e de forma ativa nos bebês que sobreviveram. Os pesquisadores aguardam o resultado dos exames e afirmam que são as primeiras peças de um grande quebra cabeça.
