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Tuberculose: longe de ser coisa do passado, doença volta a preocupar o Brasil

25 DEZ 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 13h01
  ilustrativa

Muita gente ainda acha que a tuberculose é uma doença antiga, daquelas que ficaram nos livros de história. Mas a realidade é bem diferente. O problema continua mais atual do que nunca no Brasil e os números mostram que o alerta precisa ser ligado novamente.

Somente no ano passado, o país registrou cerca de 85 mil novos casos de tuberculose e 6 mil mortes provocadas pela doença. Isso coloca a infecção entre as que mais matam no Brasil, mesmo sendo prevenível e tratável pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Desde 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém a Estratégia Fim da Tuberculose, com o objetivo de eliminar a doença até 2035. Para 2025, a meta intermediária era ambiciosa: reduzir em 50% a incidência e em 75% a mortalidade. No entanto, o cenário brasileiro segue na contramão do esperado.

Em vez de cair, a incidência da tuberculose vem aumentando desde 2015. Em 2023, o país alcançou a marca de 39,8 casos por 100 mil habitantes, um número muito acima da meta estipulada pela OMS, que é de 6,7 casos por 100 mil. E a tendência não é nada animadora: um estudo da Fiocruz Bahia, publicado em janeiro deste ano, aponta que essa taxa pode continuar crescendo e chegar a 42,1 casos por 100 mil habitantes até 2030.

A situação é ainda mais preocupante no Rio de Janeiro, onde a tuberculose avança de forma acelerada. Em 2024, o estado apresentou a segunda maior incidência do país, com 75,3 casos a cada 100 mil habitantes. No mesmo ano, foram 18 mil registros, o maior número absoluto entre todos os estados brasileiros.

Especialistas alertam que fatores como desigualdade social, dificuldade de acesso aos serviços de saúde, abandono do tratamento e falta de informação contribuem para esse cenário. A tuberculose é transmitida pelo ar e tem cura, mas exige diagnóstico precoce e tratamento contínuo.

O aumento dos casos mostra que, apesar dos avanços na medicina, a tuberculose ainda é um desafio de saúde pública no Brasil. Mais do que nunca, informação, prevenção e políticas públicas eficazes são essenciais para impedir que uma doença antiga continue fazendo novas vítimas.