Feminicídio
Ela pediu ajuda e não sobreviveu: Aline, 39ª mulher assassinada no MS em 2025
15 DEZ 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 14h18O silêncio que tomou conta de Ribas do Rio Pardo na madrugada deste domingo (14) carrega o peso de mais uma morte anunciada. Aline Barreto da Silva, de 33 anos, é a 39ª mulher assassinada por razões de gênero em Mato Grosso do Sul neste ano. Poucas horas antes de ser morta, ela buscou ajuda ao acionar a Polícia Militar, mas o pedido não foi suficiente para impedir o desfecho trágico.
No fim da tarde de sábado (13), Aline telefonou para o 190 relatando um conflito com o ex-companheiro, Marcelo Augusto Vinciguerra, de 31 anos. Uma equipe policial foi até o endereço informado, porém não encontrou a vítima nem o suspeito. Sem a localização do casal, a ocorrência foi encerrada, e Aline seguiu sem qualquer medida protetiva imediata.
A violência se consumou durante a madrugada. A Polícia Militar voltou a ser chamada após o pai da vítima informar que a filha havia sido brutalmente agredida pelo ex-companheiro e estava sendo levada às pressas para atendimento médico. No local indicado, os policiais encontraram Marcelo em frente à residência, enquanto o cenário do crime começava a ser reconstruído.
Durante as buscas, uma faca de grande porte, com cerca de 30 centímetros, foi localizada escondida em uma lixeira. O objeto foi identificado como a arma usada no ataque, segundo o registro policial.
Aline chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Sua morte escancara uma realidade recorrente: mulheres que denunciam, pedem ajuda e, ainda assim, acabam vítimas da violência que tentavam evitar. O caso levanta questionamentos sobre a efetividade das ações preventivas e a urgência de respostas mais rápidas diante de sinais claros de risco.
Com mais este feminicídio, Mato Grosso do Sul soma uma estatística que vai além dos números. São histórias interrompidas, famílias destruídas e um sistema que, mais uma vez, falhou em proteger quem pediu socorro.
