Feminicídio
Manifestações tomam as ruas do Brasil contra o feminicídio
8 DEZ 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 09h46Uma onda de manifestações tomou conta de diversas cidades brasileiras neste domingo (7), reunindo milhares de pessoas em um ato coletivo de dor, indignação e resistência contra o avanço do feminicídio no país. Vestidas de branco, segurando cartazes e cruzes simbólicas, mulheres, familiares de vítimas e representantes de movimentos sociais pediram justiça, políticas públicas mais efetivas e o cumprimento das leis de proteção à mulher.
Em capitais e municípios do interior, os protestos carregaram uma mesma mensagem: “Nenhuma a menos”. Não se trata apenas de números, mas de vidas que foram interrompidas pela violência doméstica e de gênero crimes geralmente cometidos dentro de casa, por companheiros ou ex-companheiros. A mobilização nacional evidenciou que o tema já ultrapassou a esfera policial e se tornou uma urgência social.
No Mato Grosso do Sul, a situação assumiu contornos ainda mais graves. Até esta segunda-feira, 8 de dezembro de 2025, o Estado já contabiliza 37 mulheres vítimas de feminicídio, superando todo o registro de 2024, quando foram 35 mortes ao longo dos 12 meses. O crescimento acende um alerta: em pouco mais de 11 meses, o número de assassinatos de mulheres já ultrapassou o ano anterior.
Campo Grande também registrou atos públicos, com concentração em áreas centrais, onde manifestantes levaram faixas com nomes de vítimas e velas em memória das mulheres assassinadas. A cada nome citado, um minuto de silêncio reforçava a ideia de que estatísticas escondem histórias, sonhos interrompidos e famílias devastadas.
Os atos não tiveram somente caráter de homenagem. Foram também uma denúncia direta contra a impunidade e a fragilidade das políticas de prevenção. Grupos apontaram falhas na proteção oferecida às mulheres que possuem medidas protetivas, lentidão judicial e a repetição de casos em que pedidos de ajuda não foram atendidos a tempo.
Outro ponto destacado durante as manifestações foi a necessidade de ampliar campanhas de educação e prevenção, reforçando que o combate ao feminicídio vai além da repressão policial: passa pelo enfrentamento da cultura de violência, pelo fortalecimento da rede de acolhimento e por mais investimentos em atendimento psicológico, assistência social e abrigo para mulheres em situação de risco.
As manifestações deste domingo transformaram luto em mobilização. Nas ruas, o silêncio das vítimas ganhou voz por meio de discursos emocionados e palavras de ordem que pediam respeito à vida das mulheres. Em um cenário de números crescentes, o recado deixado pela população foi claro: não basta se indignar depois das mortes é preciso agir antes que elas aconteçam.
Enquanto o Brasil e, em especial, o Mato Grosso do Sul enfrentam esse cenário alarmante, os protestos reforçam a urgência de um pacto coletivo para que nenhuma família precise voltar às ruas carregando fotos de quem deveria estar viva. A luta agora é para que essas vozes não se percam no eco das avenidas e resultem em mudanças concretas capazes de salvar vidas.
