Anvisa manda retirar do mercado três suplementos irregulares
3 DEZ 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 15h09A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou na última terça-feira (2) a apreensão imediata e a interrupção da fabricação de três suplementos alimentares vendidos no Brasil sem autorização legal. A decisão acende um alerta em Coxim e em todo o Mato Grosso do Sul, onde cresce o consumo desses produtos, muitas vezes adquiridos pela internet ou em lojas sem a devida comprovação de procedência.
Os suplementos atingidos pela medida são Prosatril, Erenobis e Óliver Turbo. Segundo a Anvisa, nenhum deles possui registro ou cadastro sanitário, exigências que garantem a análise prévia de ingredientes, dosagem correta e segurança para o consumidor. Sem essa avaliação oficial, os produtos passam a ser considerados irregulares e representam risco potencial à saúde.
Durante a fiscalização, chamou atenção o suplemento Erenobis, fabricado pela empresa Ms Comércio de Produtos Naturais Ltda., que utilizava em sua fórmula a substância ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata). A planta, bastante conhecida popularmente e consumida de forma caseira, teve seu uso proibido em alimentos industrializados desde abril deste ano. A Anvisa explicou que a decisão foi tomada por falta de comprovação científica sobre a eficácia e segurança da substância quando utilizada em produtos processados.
Apesar da fama de “ingrediente natural” e das promessas difundidas nas redes sociais como fortalecimento da imunidade, auxílio no emagrecimento ou melhora da saúde geral, o órgão regulador afirma que nenhuma dessas alegações foi validada por estudos científicos suficientes. Além disso, a ausência de controle pode resultar em exposição a dosagens inadequadas, contaminações e efeitos adversos desconhecidos.
A orientação da Anvisa é clara: quem tiver adquirido os produtos deve interromper o consumo imediatamente. Em caso de reações adversas, a recomendação é procurar atendimento médico e registrar uma notificação por meio dos canais oficiais de vigilância sanitária.
Em Coxim, profissionais da área de saúde reforçam o alerta. O consumo de suplementos sem procedência legal pode mascarar problemas clínicos, causar intoxicações e atrasar o diagnóstico de doenças. Eles também lembram que todo produto com finalidade de suplementação alimentar precisa ter autorização da Anvisa estampada no rótulo, além de apresentar lista completa de ingredientes, fabricante e número de lote.
A Vigilância Sanitária recomenda ainda que a população evite compras por redes sociais, marketplaces e sites que prometem efeitos milagrosos, já que muitas dessas plataformas são utilizadas para comercializar produtos irregulares.
A operação serve como mais um alerta para consumidores de Coxim e região: natural não significa seguro. Antes de ingerir qualquer suplemento, é essencial verificar se o produto possui registro válido, consultar um profissional de saúde e desconfiar de propagandas com promessas exageradas.
A Anvisa segue monitorando o mercado e informou que novas ações de fiscalização podem ocorrer, incluindo aplicação de multas e responsabilização das empresas envolvidas na fabricação e comercialização de suplementos ilegais.
