Operação Uxoris mira esquema milionário de contrabando e lavagem de dinheiro em MS e SP
3 DEZ 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 11h14Uma grande ação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) para desarticular um complexo esquema criminoso que atuava em Mato Grosso do Sul e São Paulo. Batizada de Operação Uxoris, a ofensiva tem como alvo uma organização envolvida em crimes transnacionais, como contrabando, descaminho, fraudes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro.
Coordenada pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz/MS), a investigação considerada de longa duração revelou um grupo altamente estruturado, especializado na importação fraudulenta de grandes volumes de mercadorias estrangeiras sem documentação fiscal e sem a devida regularização aduaneira. Os produtos entravam ilegalmente no país e eram comercializados por meio de marketplaces e lojas físicas, principalmente em Campo Grande, alcançando consumidores em diversas regiões do Brasil.
As apurações também identificaram que o esquema utilizava o chamado “dólar-cabo”, método ilegal de envio de valores ao exterior que ocorre por meio de compensações financeiras à margem do sistema formal, para efetuar pagamentos a fornecedores internacionais. Além disso, há fortes indícios de lavagem de dinheiro, com a adoção de estratégias destinadas a ocultar e dissimular a origem dos recursos provenientes das atividades ilícitas.
Com autorização da Justiça Federal, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e estabelecimentos comerciais nos dois estados. A decisão judicial ainda determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens e valores pertencentes a 20 pessoas físicas e jurídicas, com prejuízo estimado em cerca de R$ 40 milhões. Como medida adicional, as atividades de 14 empresas utilizadas pelo grupo como fachada foram suspensas.
O nome da operação, Uxoris, faz referência à denúncia apresentada pela ex-esposa do apontado líder da organização criminosa. Segundo a investigação, ela procurou as autoridades após descobrir que seus documentos pessoais estavam sendo usados indevidamente para a abertura de empresas fantasmas, peças-chave para movimentar recursos e mascarar as transações ilegais.
Em nota, a Receita Federal e a Polícia Federal ressaltaram que a operação representa mais um passo no combate à sonegação fiscal, à concorrência desleal e aos crimes contra a ordem tributária e aduaneira em Mato Grosso do Sul, reforçando o trabalho integrado das instituições para proteger a economia formal e o mercado legal.
