CNH mais barata e acessível: fim da obrigatoriedade de autoescola muda regras em todo o Brasil
2 DEZ 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 14h55O processo para conquistar a tão sonhada Carteira Nacional de Habilitação (CNH) acaba de passar por uma das maiores transformações da sua história. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou, na segunda-feira (1º), uma nova resolução que elimina a obrigatoriedade de frequentar aulas em autoescolas para a realização dos exames teórico e prático nos Detrans. A medida, proposta pelo Ministério dos Transportes, pode reduzir o custo do documento em até 80%, ampliando significativamente o acesso à habilitação em todo o país.
A decisão foi unânime entre os membros do Contran e agora aguarda apenas a publicação no Diário Oficial da União para entrar em vigor. O objetivo é modernizar o sistema, tornando-o mais inclusivo, menos burocrático e alinhado a práticas internacionais já consolidadas.
A principal mudança é a flexibilização na forma de preparação dos futuros condutores. A partir da nova regra, o candidato poderá estudar de maneira independente para as provas teóricas, utilizando materiais digitais ou cursos gratuitos disponibilizados pelo Ministério dos Transportes. Embora as autoescolas continuem autorizadas a ofertar formação presencial, a frequência a elas deixa de ser obrigatória.
Já na etapa prática, será exigida uma carga mínima de apenas duas horas de instrução, que poderá ser realizada tanto em centros de formação tradicionais quanto com instrutores autônomos credenciados. A escolha passa a ser do aluno, que poderá definir a opção mais acessível ou conveniente.
Apesar da maior liberdade no processo de preparação, os exames continuam sendo rigorosos, com provas teóricas e práticas mantidas como obrigatórias. Todos os profissionais que atuarem na formação deverão ser credenciados pelos Detrans estaduais e terão identificação digital registrada na Carteira Digital de Trânsito (CDT), permitindo fiscalização e rastreabilidade dos serviços prestados.
A resolução também simplifica o acesso às categorias C, D e E destinadas à condução de veículos de maior porte ampliando as possibilidades de formação e reduzindo entraves burocráticos.
Segundo dados oficiais, mais de 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação, enquanto outros 30 milhões já estão em idade legal para tirar a CNH, mas ainda não conseguiram obter o documento, principalmente por questões financeiras. O custo elevado sempre foi apontado como o principal obstáculo.
Com a nova regra, o Governo Federal aposta na ampliação do acesso à habilitação como ferramenta de inclusão social e estímulo ao mercado de trabalho, já que a CNH é um requisito para diversas vagas de emprego, especialmente nas áreas de transporte, logística, entregas e serviços.
De acordo com o Ministério dos Transportes, o novo formato segue padrões adotados em países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, onde não é exigido número mínimo de aulas em autoescolas. O foco está totalmente na avaliação final do candidato: quem comprovar conhecimento teórico e capacidade prática para dirigir de forma segura está apto a receber o documento.
A expectativa é de que o processo se torne mais ágil, barato e democrático, sem abrir mão da segurança no trânsito. Para milhões de brasileiros, o sonho da CNH agora pode ficar muito mais perto da realidade.
