Orgulhos Coxinenses
Eterna "Dona Changa": A Mulher que Viveu Como Quis e Fez Coxim Reverenciar Sua Força
28 NOV 2025 • POR Glenda Melo • 09h10Há vidas que, pela força que emanam, tornam-se parte inseparável da memória de uma cidade. E Coxim, com sua identidade construída por gente simples, forte e profundamente humana, guarda entre suas figuras mais marcantes o nome de Naudy Castilho Fontoura (IN MEMORIAN), carinhosamente chamada de “Dona Changa” uma mulher que viveu com intensidade, amou com coragem e deixou um legado que atravessa gerações e sem dúvidas quebrou paradigmas impostas que mulher não podia isso ou aquilo, sim nós podíamos e a senhora abriu esse caminho dona Changa.
Com o fim da revolução, retornaram os dias de paz, e Naudy passou a crescer no aconchego de uma comunidade pequena, solidária e vibrante a famosa “Vila Pequena”, onde nomes como João Ferreira, Silvio Ferreira, Viriato Bandeira, Pedro Fontoura (Peró), Salviano Fontoura, Pedro Severo, Eduardo Siravegna, Jorge Castilho, Alaor Garcia e Euclides Costa marcavam presença na construção daquele cotidiano. Ali, a vida tinha outro ritmo: as noites eram embaladas por orquestras, e nenhuma música brilhava mais do que a “Alvorada de Coxim”, conduzida por seu pai, que encantava bailes e festividades no tradicional Clube Esportivo Coxinense.
Foi nesse cenário de simplicidade festiva, de encontros, serenatas e risos, que Naudy encontrou o grande amor de sua vida: Hervê Mendes Fontoura. Juntos, escreveram uma história sólida, marcada pela parceria, pelo companheirismo e pela construção de uma família que se tornaria referência na cidade. Da união vieram três filhos: Luiz Hervê Castilho Fontoura, Neiza Eliza Fontoura Rocha e Rosiney Castilho Fontoura, e por eles e pelos muitos que a cercavam Naudy sempre se colocou como apoio, porto seguro e voz serena.
Mas Dona Changa foi muito além do papel familiar. Com a força que carregava no olhar e a alegria que transbordava na convivência, transformou-se numa verdadeira instituição dentro da política local. Foi a primeira-dama eterna de Coxim, pioneira ao dar ao título sentido prático: dedicou-se a causas sociais, ajudou quem precisava, articulou campanhas, mobilizou pessoas, tornou-se um símbolo de presença. Era, como muitos diziam, um dos melhores “cabos eleitorais” que Coxim já conheceu firme, direta, apaixonada pela cidade que a viu nascer.
Sua personalidade era um capítulo à parte. Feliz, acolhedora, direta, festeira, de riso fácil e abraço generoso, Dona Changa era daquelas pessoas que fazem falta antes mesmo de partir. Amava um chamamé, adorava um bom whisky, gostava de receber, reunir, conversar. Levava consigo a leveza própria de quem entende que a vida é curta demais para ser vivida sem alegria.
E ela viveu. Viveu como quis, do jeito que acreditava, com autenticidade. Aos 84 anos, ainda pescava, ainda ria alto, ainda bebia seu whisky e ainda contava histórias da Vila Pequena como se tudo tivesse acontecido ontem. Tinha horror à ideia de “dar trabalho” e partiu exatamente como desejava: com dignidade, em 11 de dezembro de 2017, deixando na memória dos que a amaram a imagem forte de uma mulher que não se curvou ao tempo, que celebrou cada fase da vida e que fez da simplicidade sua grande marca.
Hoje, ao recordar Naudy Castilho Fontoura, não falamos apenas de uma pessoa; falamos de um pedaço vivo da história de Coxim. Uma mulher que testemunhou transformações, participou de momentos decisivos e moldou, com sua forma de ser, a identidade cultural e afetiva da cidade.
Dona Changa partiu, mas ficou. Ficou em cada família que ajudou, em cada festa que animou, em cada lembrança da “Vila Pequena”, em cada gesto político que fez diferença, em cada sorriso que deixou de herança. Ficou no coração de Coxim e permanecerá, sempre, como símbolo de força, alegria, respeito e amor pela terra onde nasceu.
Uma vida inteira dedicada à cidade.
Uma história que emociona, inspira e merece ser contada sempre, e SERÁ!!!!
Assim era Naudy ou simplesmente Dona Changa.
