Feminicídio
23 FACADAS e a 37ª VÍTIMA DE FEMINICÍDIO EM MS
24 NOV 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 14h33Mato Grosso do Sul amanheceu, mais uma vez, diante de uma tragédia que parece não ter fim. A madrugada desta segunda-feira (24) marcou a morte brutal de Aliene Nunes Barbosa, 50 anos, ex-guarda municipal, assassinada com 23 facadas pelo ex-marido, em Dourados (MS).
O crime, que já é a 37ª morte por feminicídio no estado em 2025 e o ano ainda não terminou, essa barbárie aconteceu na frente do filho dela, de apenas 9 anos, que assistiu ao momento em que a mãe teve a vida arrancada num ataque covarde.
Segundo informações da polícia, Aliene estava separada do agressor. Como tantas mulheres, ela tentava reconstruir a própria vida, longe do ciclo de violência que a perseguia.
Mas a madrugada revelou o que o Brasil inteiro já conhece: quando o Estado falha, quando a proteção não chega e quando a violência doméstica é minimizada, o desfecho é quase sempre o mesmo a morte.
A cena é descrita pelos investigadores como violenta e devastadora. Aliene foi atacada repetidamente, golpe após golpe, enquanto o agressor descarregava sobre ela todo o ódio e controle que alimentou por anos.
Vinte e três vezes em que a vida dela poderia ter sido poupada.
Vinte e três gritos silenciosos de um estado que falha em proteger suas mulheres.
O filho de 9 anos, aterrorizado, viu a mãe ser assassinada diante dos seus olhos.
Uma marca que o acompanhará para sempre uma infância interrompida pelo feminicídio, uma ferida social que nenhuma política pública existente tem conseguido estancar.
Com a morte de Aliene, Mato Grosso do Sul atinge 37 casos de feminicídio apenas este ano.
É um número que envergonha, revolta e denuncia: as mulheres estão morrendo e o Brasil ainda responde tarde demais.
Aliene Nunes Barbosa não foi apenas "mais uma estatística".
Era mãe, profissional respeitada, ex-guarda municipal, mulher conhecida pela força e pela dedicação ao filho.
Agora, é mais um nome em uma lista que cresce no silêncio das madrugadas, dentro das casas, longe das câmeras e perto demais de todos nós.
O assassino fugiu após o crime, mas a polícia realiza buscas.
Independentemente do desfecho da caçada, a verdade é dura: Aliene deveria estar viva.
Assim como as outras 36 mulheres que antecederam seu nome neste ano.
A pergunta que segue ecoando é sempre a mesma: quantas mais?
Até quando mulheres precisarão morrer para que o estado, a sociedade e todos nós tratemos o feminicídio como a emergência que ele é uma epidemia silenciosa, sangrenta e cotidiana?
A morte de Aliene não pode ser mais um caso arquivado na memória coletiva.
Ela precisa ser uma ruptura, um basta, um alerta que ninguém tenha coragem de ignorar.
