Luto
Em memória de Pedro Guilherme Garcia Góes: o coxinense que transformou sua terra natal em arte
21 NOV 2025 • POR Glenda Melo • 10h03Coxim chora a partida de um de seus filhos mais brilhantes. No dia 20 de novembro data simbólica, marcada pela força, luta e ancestralidade do Dia da Consciência Negra faleceu Pedro Guilherme Garcia Góes, artista plástico coxinense de alma, coração e essência. Sua morte repentina, causada por um infarto, deixou a cidade consternada e mergulhada em uma saudade que nenhum pincel conseguirá colorir.
Nascido na Capital do Peixe, filho de Dona Célia e de Seu Machado, ex-prefeito de Coxim, Pedro cresceu às margens do Rio Taquari, onde a vida tem cheiro de água doce e memória de peixe. Foi ali que sua sensibilidade despertou. Ali nasceram as primeiras cores, as primeiras formas e a certeza de que sua arte jamais se separaria de sua origem.
Muralista, pintor e escultor, acumulou exposições, premiações e reconhecimento em todo o Mato Grosso do Sul e também fora dele. Seu nome tornou-se presença marcante no cenário cultural sul-mato-grossense. Entre suas obras de maior impacto está o monumento “Os Dourados”, que enriquece a Praça Francisco Mendes da Rocha, a Praça do Pescador símbolo vivo de sua identidade e de seu amor por Coxim.
Pedro sempre disse que o rio, o peixe e o Pantanal eram mais que temas: eram parte dele. Sua produção artística vibrante e colorida carregava a influência pantaneira, indígena e ambiental, transformando cada tela em manifesto, cada escultura em memória e cada mural em resistência cultural. Sua arte dialogava com a natureza e com o povo, defendendo com intensidade a cultura e o meio ambiente que ele honrava com devoção.
Em suas entrevistas, insistia que Coxim era seu centro, seu norte e seu chão. “Não consigo me afastar das circunstâncias que moldaram minha identidade”, dizia e sua obra comprovava. Pedro não pintava apenas paisagens; pintava pertencimento. Não esculpia apenas formas; esculpia história.
Hoje, amigos, artistas, familiares e toda a população sentem um vazio que ecoa pelas ruas, pelas praças, pelas paredes que receberam seu toque. Coxim despede-se não apenas de um artista, mas de um guardião da memória local, um poeta das cores, um mensageiro das raízes pantaneiras.
Pedro Guilherme Garcia Góes parte, mas seu legado permanece vivo, pulsante e irrevogavelmente gravado na identidade cultural de Coxim e do Mato Grosso do Sul.
Que suas cores sigam iluminando o mundo. Que sua cidade, que ele tanto amou, siga orgulhosa de ter sido seu berço e seu faro.
