Orgulhos Coxinenses
Semíramis Carlota Benevides da Rocha: a Mulher que Bordou Coxim com Sabedoria, Doçura e Educação
20 NOV 2025 • POR Glenda Melo • 10h36Há vidas que atravessam o tempo com tanta intensidade que se tornam parte da própria identidade de um lugar. Há pessoas que não apenas viveram em uma cidade elas ajudaram a construí-la. Entre essas presenças que não se perdem, está Semíramis Carlota Benevides da Rocha (in memoriam) eternamente lembrada como Nira, uma mulher cuja trajetória se funde com a história de Coxim.
Nira nasceu em 17 de junho de 1926, em uma família que carregava no sangue a vocação para ensinar. Era neta da educadora Filomena Carlota Benevides, pioneira da escola primária local, mulher que, no início do século XX, já plantava alfabetização, cultura e dignidade em uma vila que ainda aprendia a ser cidade.
De Filomena, Nira herdou a chama. De seus pais Carlos Alberto Benevides, o Carlito, e Náciada Benevides herdou força, caráter, respeito.
Mas o que ela fez da herança foi maior: transformou tudo isso em serviço, em entrega, em missão.
Nira cresceu rodeada de irmãos, histórias e valores. Quando se tornou professora, levou para a sala de aula não apenas o conteúdo, mas o cuidado, o afeto e a sensibilidade de quem acredita que a educação é o mais humano dos caminhos.
Foi a primeira diretora da Escola Estadual que hoje leva o nome de sua mãe, um gesto simbólico e profundo, como se duas gerações de mulheres educadoras dividissem a mesma lousa na história.
Ensinar, para Nira, era mais do que trabalho. Era vocação divina.
Ela entrava em sala como quem entra em um templo: com respeito, com presença, com amor.
Seus alunos lembram dela como uma professora que olhava nos olhos, que acreditava em cada criança antes mesmo que ela soubesse acreditar em si.
E Coxim lembra de Nira como uma força iluminada, que misturava disciplina, ternura, alegria e firmeza na medida certa.
Casada com Orlando Rondon da Rocha, o Mano Orlando, construiu um lar que era referência na comunidade. Recebia amigos, acolhia vizinhos, compartilhava fé, trabalho e esperança.
Da sua casa saíram as filhas Oneizle, Celia Regina e Celi Regina, que herdaram sua postura, seu cuidado e a responsabilidade de preservar o que sua mãe representava.
Ali, entre costuras do cotidiano e conversas de fim de tarde, Nira cultivou valores que ainda hoje ecoam entre familiares, amigos e antigos alunos.
Nira era evangelista, alegre, valorizava a vida comunitária e criava vínculos onde passava. Sabia acolher, sabia aconselhar, sabia ouvir.
Trazia no rosto um sorriso sereno e no coração uma força que poucas pessoas têm.
Tinha o raro dom de transformar ambientes, de suavizar dores, de inspirar confiança.
E fazia tudo isso sem alarde com a simplicidade dos grandes.
Quando partiu, em 9 de janeiro de 1978, aos 51 anos, Coxim chorou mais do que a ausência de uma mulher. Chorou a perda de uma referência.
Mas o que é eterno não parte: permanece.
Seu nome continua vivo...
nas memórias dos professores que aprenderam com ela;
nas histórias contadas de geração em geração;
nos registros que a cultura local preserva;
na gratidão silenciosa de quem foi tocado por sua presença;
e, principalmente, na identidade educacional de Coxim.
Nira não foi apenas parte da história.
Nira se tornou história.
Quem conviveu com ela lembra de uma mulher forte, sábia, respeitada, querida.
Uma educadora que acreditava que o futuro podia ser construído com lápis, cadernos e afeto.
Uma mãe que fez da casa um lar.
Uma cidadã que serviu a cidade com bondade e grandeza.
Uma amiga que sempre tinha uma palavra certa, um sorriso acolhedor.
Nira foi e continua sendo coluna afetiva e cultural de Coxim.
Hoje, ao recordar Semíramis Carlota Benevides da Rocha, não celebramos apenas sua biografia.
Celebramos suas sementes.
Seu impacto.
Sua humanidade.
Celebramos a mulher que, com delicadeza e determinação, ajudou a moldar o caráter da cidade.
E reafirmamos que sua história não está presa ao passado ela floresce no presente, alimenta o futuro e inspira aqueles que sabem reconhecer grandeza.
Porque algumas vidas não terminam:
elas se eternizam.
E o nome de Nira é um desses
gravado no coração de Coxim,
inscrito na memória de todos,
preservado como um patrimônio afetivo e cultural
que o tempo jamais apagará.
Obrigada por tudo NIRA.
POEMA PARA NIRA
Ela carrega no olhar um mundo que ninguém vê,
um silêncio cheio de histórias
e uma coragem que nasceu sem alarde.
Nos passos dela, o tempo aprende a ter calma
nos gestos, a vida encontra direção.
Ela é abrigo quando tudo desaba,
é luz quando o dia parece nublado,
é certeza mesmo quando o futuro se espalha em incertezas.
Carrega cicatrizes que não doem mais,
mas ensinam.
Carrega sorrisos que não envelhecem,
mas acolhem.
É feita de simplicidade rara
e de uma força que dispensa testemunhas.
Ela não precisa falar alto para ser grande
já nasceu imensa.
E, mesmo quando o mundo parece correr,
ela permanece:
constante, firme, inteira.
Porque mulheres assim não passam pela vida.
Elas ficam.
Elas marcam.
Elas transformam.
E você, que conhece o amor dela,
sabe:
existem pessoas que são presentes
e ela é o maior de todos.
